Marcos Miguel dos Anjos fala sobre sua trajetória profissional, a atuação voluntária na governança da APF e os desafios do setor fundacional


Marcos Miguel dos AnjosConselheiro da APF e superintendente jurídico da Fundação Antônio e Helena Zerrenner, Marcos Miguel dos Anjos comenta sua trajetória profissional, a atuação voluntária na governança associativa e os principais desafios enfrentados pelo setor fundacional

Com formação em Economia e Direito e mais de 30 anos de experiência na área jurídica, Marcos Miguel dos Anjos integra o Conselho Deliberativo da Associação Paulista das Fundações (APF) como representante da Fundação Antônio e Helena Zerrenner – Instituição Nacional de Beneficência. Sua participação no colegiado se soma à experiência acumulada em empresas de grande porte e no terceiro setor.

Natural de São Paulo, Marcos é formado em Economia pela Universidade São Judas Tadeu e em Direito pela FMU. Possui MBA em Administração pela USP e especializações em Direito Empresarial e Contratos Empresariais. Ao longo da carreira, atuou em organizações como Ambev e Prosegur, sempre em funções ligadas à área jurídica.

Atualmente, ocupa o cargo de Superintendente Jurídico e de Governança da Fundação Antonio e Helena Zerrenner, sendo responsável pelo departamento jurídico e pela implementação de políticas de proteção de dados. Ao comentar sua atuação, destaca a defesa dos direitos de empresas, fundações e pessoas como eixo central de seu trabalho. “Minha atuação foca na defesa dos direitos de empresas, incluindo as fundações, e pessoas, sempre pautada pela inovação e ética”, afirma.

Fundação Zerrenner: atuação nacional em saúde e educação
A Fundação Antonio e Helena Zerrenner é uma entidade beneficente, de direito privado e sem fins lucrativos, criada em 1936 a partir do testamento de Helena Zerrenner. Sua história está diretamente ligada à Companhia Antarctica Paulista e, posteriormente, à Ambev, da qual a Fundação se tornou acionista relevante.

Atualmente, a Fundação oferece gratuitamente assistência médica, hospitalar, odontológica, educacional e social a mais de 65 mil beneficiários em todo o território nacional. Mantém colégios, escolas técnicas em parceria com o SENAI e um complexo hospitalar, com unidades nos estados de São Paulo e Minas Gerais. As receitas da Fundação provêm, majoritariamente, de dividendos, investimentos e bens de seu patrimônio.

Aproximação com a APF e ingresso no Conselho
A relação de Marcos Miguel dos Anjos com a APF teve início a partir de sua convivência profissional com Dra. Marta Kabuosis, então integrante do Conselho Deliberativo da Associação. “Durante o tempo em que trabalhei com ela, pude conhecer os propósitos da APF e percebi que poderia contribuir significativamente para a organização”, relata.

Com a aposentadoria da conselheira, Marcos recebeu o convite para assumir a função no Conselho Deliberativo da APF. “Tive a honra de receber o convite para substituí-la, o que me motivou ainda mais a me envolver ativamente na missão da APF e no fortalecimento de suas iniciativas”, afirma.

Gestão voluntária e compromisso institucional
Para o conselheiro, exercer um cargo de gestão voluntária em uma entidade como a APF envolve responsabilidade e dedicação. “É assumir uma responsabilidade significativa em um contexto que valoriza a ética e a solidariedade. É uma oportunidade de aplicar experiência e conhecimento em prol de uma causa importante”, destaca.

Segundo ele, o trabalho voluntário exige comprometimento e seriedade, além de permitir a troca com profissionais que compartilham objetivos semelhantes dentro do setor fundacional.

Na avaliação de Marcos, a APF atua como um espaço de articulação entre fundações e associações, promovendo capacitação e troca de experiências. “A APF funciona como uma plataforma que facilita o compartilhamento de conhecimentos e de boas práticas entre as entidades”, afirma.

Ele também destaca a atuação da Associação na representação institucional do setor junto a órgãos públicos e à sociedade, o que considera fundamental para a continuidade das iniciativas sociais.

Desafios atuais das fundações
Entre os principais desafios enfrentados pelas entidades do setor, Marcos aponta a necessidade de comunicar de forma clara sua atuação e seus resultados. “As fundações enfrentam o desafio de demonstrar seu papel para a sociedade brasileira, especialmente em um contexto que exige cada vez mais transparência e resultados concretos”, observa.

Segundo ele, áreas como saúde, educação, cultura e desenvolvimento social concentram grande parte das ações das fundações, mas é essencial tornar visível o impacto dessas iniciativas.

Nesse contexto, Marcos acredita que a APF pode apoiar suas associadas por meio de ações práticas. “Capacitação, compartilhamento de boas práticas, advocacy e ferramentas que ajudem as instituições a medir e comunicar seu impacto são caminhos importantes”, afirma.

Ao falar sobre o que o motiva a atuar voluntariamente no Conselho da APF, Marcos destaca valores ligados à justiça social, à equidade e à colaboração.
“Acredito que, juntos, podemos fazer a diferença. É gratificante contribuir, mesmo que de forma discreta, para o fortalecimento das instituições e o bem-estar da sociedade”, diz.

Ao final da entrevista, o conselheiro reforça a importância do engajamento das instituições associadas. “Cada associado tem um papel fundamental na construção de um futuro melhor para nossas instituições. O envolvimento ativo fortalece nossa rede e amplia o impacto do trabalho desenvolvido”, conclui.