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A arte de saber pedir ao potencial doador

A arte de saber pedir ao potencial doador - Dia de Doar


Dia 29 de novembro acontece mais uma edição do Dia de Doar. A iniciativa é inspirada no Giving Tuesday, movimento global de generosidade que visa inspirar as pessoas a doar o que podem em prol de ações solidárias em suas comunidades. Na edição de 2021, o Dia de Doar movimentou mais de R$ 2 milhões em doações on-line no Brasil.

De acordo com o mais recente Ranking de Solidariedade, produzido pela Charities Aid Foundation (CAF), o Brasil está entre os 20 países mais solidários do mundo, saltando da posição 54º para a 18° no último ano. O crescimento aconteceu em todas as categorias avaliadas, mas na “ajuda a um desconhecido” o brasileiro subiu da posição 36° para o 11° lugar.

Diante dessa boa notícia, é importante que as organizações do terceiro setor aproveitem a onda solidária que vem aumentando desde a pandemia pelo coronavírus para alavancar a prospecção de novos doadores. O maior desafio continua sendo convencer as pessoas a investir em uma causa diante de tanta concorrência. A nova atualização do Mapa das Organizações da Sociedade Civil, ou Mapa das OSCs, iniciativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), identificou 815.676 ONGs no país até 2020.


A importância de estabelecer um relacionamento transparente com os doadores

Como diz o filantropo Bill Gates, “doar de forma efetiva é quase tão difícil quanto ganhar dinheiro”. Doadores são movidos por paixões, valores e objetivos, e cabe às organizações investir ainda mais em transparência e na prestação de contas para provar que cada centavo doado foi investido na causa.

A Santa Casa de São Paulo, por exemplo, passou por uma ampla reestruturação organizacional e implantou processos importantes de transparência e prestação de contas aos doadores. As campanhas e doações são direcionadas a projetos prioritários da instituição, que beneficiam a assistência dos pacientes. Os projetos são definidos anualmente pela Superintendência, em conjunto com as diretorias médicas e administrativas dos hospitais. Em seguida, a área de captação de recursos elabora as estratégias e busca doadores para reforma de enfermarias, UTIS, ambulatórios, e/ou aquisição de equipamentos.

Outro ponto importante é priorizar o relacionamento de longo prazo com doadores. Para isso, as organizações devem manter uma comunicação aberta, honesta e contínua de forma que o doador não seja procurado apenas nos momentos de turbulência. A transparência e o direcionamento de recursos trazem confiança e credibilidade aos parceiros das organizações.

Na Santa Casa, no término dos projetos executados o doador recebe a prestação de contas referente a utilização da doação com cópia das notas fiscais, fotos e relatórios da ação. Além disso, os doadores são convidados para as inaugurações e anualmente recebem o balanço social, que detalha as ações realizadas pela instituição, os projetos em andamento, o balanço financeiro e a citação dos apoiadores.


Captação de recursos em prol de quem mais precisa

Um dos projetos em destaque é o Programa Nota Fiscal Paulista, em que as pessoas doam as suas notas fiscais sem CPF nas urnas espalhadas nas unidades da instituição, nos estabelecimentos comerciais parceiros ou ainda através do aplicativo do programa em que é possível efetuar o cadastro automático das notas fiscais. Com os recursos arrecadados, diversas melhorias estruturais já foram realizadas, como a troca de elevadores e a reforma dos banheiros do ambulatório que atende mais de 1.600 pessoas por dia.

Outra iniciativa é a reforma do andar que sediará a nova área de atendimento de quimioterapia e o ambulatório pediátrico. Os recursos foram doados por pessoas físicas e jurídicas que participaram da campanha lançada em 2021.

Vale lembrar que a figura do captador de recursos profissional é fundamental para organizar processos e manter a estratégia de fundraising viva dentro da instituição, mas vale lembrar que toda a organização é o departamento de captação de recursos engajado em ajudar a área de desenvolvimento a captar mais recursos para as causas.

Engajar os colaboradores em prol da causa é o passo número um para um projeto bem-sucedido.

Custódio Pereira
Presidente do Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas (FONIF)

Julia Povoas
Diretora de Relações Institucionais da Santa Casa de São Paulo

Fonte: FONIF