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Compreender a Educação

O processo da educação é, sem dúvida, considerado o mais importante e o mais amplo processo que, pela sua transversalidade, permeia espaços sui generis na vida das pessoas e das sociedades. No seu aspecto formal, enquanto instrução e formação, interage com todas as áreas do conhecimento e, no modo informal de ser, atinge o campo da formação para o trabalho e a vida, obtendo guarida no Primeiro, Segundo e Terceiro Setores.

A expansão do processo educacional como suporte de formação e de desenvolvimento das pessoas é objeto do Primeiro Setor (governo), a quem cabe, conforme a Constituição Federal, a responsabilidade da sua implantação e da respectiva implementação em todo o território nacional.

Essa visão formativa e geradora de desenvolvimento é, hoje, também, compreendida pelo Segundo Setor (mercado), cujas empresas estão instalando processos de estudos em cursos de formação corporativa voltados aos seus recursos humanos. As empresas perceberam a defasagem entre as suas necessidades e os recursos humanos que saem das universidades, em termos de quantidade e qualidade, e passaram a apostar na educação.

O Terceiro Setor (sociedade civil organizada), por sua vez, também tem no processo educacional a base forte das suas ações. Nesse enfoque, é necessário considerar que a sua clientela está aquém do atendimento das suas necessidades para alcançar o mínimo de educação que propicie às pessoas trabalho e consequente qualidade de vida.

O Terceiro Setor tem na educação o suporte primeiro das suas ações, quando trabalha na recuperação e preservação da autoestima das pessoas. Por isso, e em consequência da defasagem socioeconômica da população que ele atende, a área de formação e de atendimento das famílias e do cuidado com as crianças e com a profissionalização dos jovens, sempre como processos educativos, reforçam suas ações.

O cenário da educação não só no Brasil, mas em inúmeros países, encontrou respaldo nesses três setores. Hoje, com grande ênfase pela sociedade civil organizada, o Terceiro Setor, com posição adquirida e respeitada pelo que fez e pelo que está fazendo, descobriu o que lhe é possível realizar no campo da educação, fazendo dela uma das suas bandeiras.

O Terceiro Setor, pela sua dinamicidade e transparência, encontrou no processo de captação de recursos o instrumento necessário à manutenção e permanência do seu trabalho. Nessa dimensão, é sempre bom lembrar o pensamento de Heinz von Foerster: “o problema é compreender o que é compreender”, o qual se adapta ao trabalho desenvolvido pelas organizações sociais (fundações, associações, ONGs) nas comunidades que já compreenderam o valor da educação, pois o contrário, isto é, “o não compreender”, seria o desprezo, o que não se coaduna com a filosofia do Terceiro Setor.

Portanto, a compreensão da necessidade de investimentos na busca da qualidade da educação, em todas as suas formas e níveis, ainda é a meta a ser alcançada.


Maria Cecília Medeiros de Farias Kother
Diretora do Instituto MC Educação Social e Presidente Honorária da Confederação Brasileira de Fundações – CEBRAF.