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Em apoio a campanha #podeserabuso, atletas e organizações vão às ruas pelo fim do abuso sexual infantil

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“O abusador está em todos os lugares”, alerta a nadadora olímpica Joanna Maranhão em sua fala no evento realizado em São Paulo pela Fundação Abrinq para marcar o 18 de Maio — Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Junto com Alexandre Montrimas, ex-goleiro de futebol e também ativista no combate ao abuso sexual infantil, em especial no esporte, Joanna foi uma das pessoas que realizaram uma caminhada pela Avenida Paulista na mesma data em apoio à Campanha #PodeSerAbuso, organizada pela Fundação.

Após a caminhada, os participantes se reuniram no Teatro Eva Herz para assistir a um debate de especialistas, que também contou com depoimentos dos atletas sobre suas experiências envolvendo assédio e abuso sexual na infância.

“Eu fui assediado de diversas maneiras. Conheci o assédio muito de perto e percebi que ele era parte do sistema” comenta Montrimas, ao relatar sua vivência em clubes de futebol de base quando era mais novo. Sobre o problema, ele completa com pesar “Alguns meninos que denunciavam eram mandados embora dos clubes”.

Para Joanna, que hoje tem seu nome na Lei nº. 12.650, de 17 de maio de 2012 — que dispõe sobre o processo penal para este tipo de crime — a superação do trauma é uma das maiores vitórias que soma em sua trajetória de campeonatos. “Enquanto todas as meninas treinavam para ganhar uma medalha olímpica, eu estava lutando para sobreviver. As pessoas não imaginavam como aquilo era difícil. Eu tinha que lutar pelo meu equilíbrio todos os dias” finaliza.

Denise Cesario, gerente executiva da área de Programas e Projetos da Fundação Abrinq, destaca o fato de que “quanto mais o tema vier à tona, mais conseguiremos fazer com que a criança e o adolescente compreendam o assunto e possam se proteger”.

Nesse sentido, a mobilização pelas ruas na ocasião mostrou efeitos já no momento da caminhada: transeuntes se aproximaram do grupo para demostrar seu apoio à causa. Entre eles estava Carlos Alves*, que se comoveu com a passagem dos manifestantes e relatou que convive até hoje na família com o homem que abusava de sua esposa na infância: “Normalmente o abuso acontece sempre em casa e vem de pessoas próximas a você. Estas pessoas não têm ideia do dano que estão causando”. Ele relata ainda que possui um filho, mas que nunca deixa a criança sozinha.

Montrimas partilha da mesma opinião e alerta que os pais devem estar sempre cientes de onde os filhos estão e com quem, inclusive conversando com as pessoas que lidam diretamente com as crianças, fazendo-se sempre presente: “Esteja sempre próximo do seu filho” apela ele aos pais.

Para combater o problema, a psicóloga do Centro de Referência às Vítimas de Violência (CNRVV), Arlete Escodelario, que também participou do debate, indica que é preciso estar muito atento aos sinais que as crianças apresentam e que podem indicar que ela está sendo vítima de um abuso sexual: “Desde pequena uma criança pode apresentar um problema”. Veja aqui o vídeo sobre o assunto feito pela psicóloga para a Campanha #PodeSerAbuso.

Daniel Ribeiro da Silva, psicólogo do Polo de Prevenção à Violência Doméstica e Sexual da Associação Cultural Comunitária Pró-Morato, também participante do debate, salienta que o agressor sempre tende a ser alguém de confiança da criança e podem ser os pais, padrastos, mães, avós e até irmãos. Devido a isso, os debatedores foram unânimes ao apresentar a escola e a família como os dois pontos focais mais importantes para identificação do abuso sexual infantil e dos sinais de que a criança está sendo ou foi vítima do problema. Eles destacaram que, se um destes grupos falhar em identificar o caso e proteger o menor do abuso, o outro pode ser a fonte de apoio e ajuda para estas crianças e adolescentes.

Veja AQUI as fotos do evento

Saiba mais sobre a Campanha em: www.podeserabuso.org.br

*Nome alterado para preservar identidade do entrevistado.

Fonte: Fundação Abrinq