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FTS - Ranking Igualdade Racial 2025 analisa a atuação parlamentar em pautas voltadas à equidade racial
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- Criado em 03/03/2026

O levantamento, que foi realizado por Fundação Tide Setubal, Instituto de Referência Negra Peregum, Observatório Legislativo Brasileiro (OLB) e Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA-UERJ), objetiva tornar mais visíveis as dinâmicas legislativas que moldam a agenda de igualdade racial no país.
Nesse sentido, o estudo reúne informações sobre a atuação de mais de 570 parlamentares para examinar o modo como lidam com temas como:
- Ações afirmativas;
- Combate ao racismo;
- Cultura;
- Segurança pública;
- Educação;
- Saúde;
- Direitos das populações indígena e quilombola.
O levantamento contou, então, com consulta de 37.089 atividades legislativas. Nesse contexto, para garantir a precisão e a comparabilidade de informações, assim como a transparência no processo metodológico, o processo considerou o cruzamento de registros oficiais da Câmara dos Deputados e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Além disso, foram analisados aspectos como a distribuição das notas por partido, estado, raça e gênero. Idem a identificação de padrões específicos, como o protagonismo de deputadas não brancas de primeiro mandato, a atuação destacada das bancadas de esquerda, ou mesmo a polarização existente entre diferentes grupos ideológicos.
Resultados do Ranking Igualdade Racial 2025
Com base nos aspectos destacados na esfera metodológica e nos critérios que constituíram o Ranking Igualdade Racial 2025, o resultado mostrou forte clivagem ideológica entre as dez pessoas parlamentares com as maiores notas e as outras dez com os menores indicadores.
A saber, as dez pessoas parlamentares com as maiores notas são do campo progressista e fazem parte de partidos como o PT (cinco parlamentares), PCdoB e PSB (uma parlamentar de cada partido) e PSOL (três parlamentares). Vale destacar que, entre esse grupo, quatro são deputadas não-brancas em primeiro mandato. Assim sendo, a relação é a seguinte:
- Erika Kokay (PT-DF): nota 10.000;
- Daiana Santos (PCdoB-RS): nota 9.997;
- Talíria Petrone (PSOL-RJ): nota 9.842;
- Célia Xakriabá (PSOL-MG): nota 9.733;
- Tabata Amaral (PSB-SP): nota 9.715;
- Benedita da Silva (PT-RJ): nota 9.706;
- Carol Dartora (PT-PR): nota 9.658;
- Pedro Uczai (PT-SC): nota 9.594;
- Guilherme Boulos (PSOL-SP): nota 9.517;
- Dandara (PT-MG) nota 9.423.
- Capitão Alden (PL-BA): nota -7.852;
- Marcel van Hattem (Novo- RS): nota -7.891;
- Julia Zanatta (PL-SC): nota -8.072;
- Sanderson (PL-RS): nota -8.112;
- Ricardo Salles (Novo-SP): nota -8.351;
- Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP): nota -8.632;
- Delegado Ramagem (PL-RJ): nota -8.859;
- Chris Tonietto (PL-RJ): nota -9.098;
- Helio Lopes (PL-RJ): nota -9.635;
- Junio Amaral (PL-MG): nota -10.000.
As mulheres não apenas estão concentradas nos partidos com maior histórico de compromisso com pautas de justiça racial, mas dentro desses partidos lideram a ação legislativa antirracista. Isso pode refletir tanto uma afinidade temática entre gênero e igualdade racial, quanto redes militantes e trajetórias políticas que se formaram em torno do feminismo negro, dos movimentos sociais e das políticas de diversidade institucionalizadas após 2003.
Aprendizados e pontos de atenção
O levantamento mostra que a pauta da equidade racial tem ligeira maioria numérica. Contudo, três fatores representam obstáculos importantes nesse contexto:
- Baixo engajamento generalizado, limitando a capacidade de articulação e avanço legislativo consistente;
- Divisão ideológica, o que dificulta a formação de consensos;
- Desafio da ampliação: o tema se restringe a um grupo minoritário. Logo, é necessário expandir o debate para além do campo progressista para que avanços duradouros sejam institucionalizados.
Texto: Amauri Eugênio Jr
Fonte: Fundação Tide Setubal

