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FUNDAÇÃO ABRINQ - Crianças que vivem na pobreza: qual é a situação no Brasil?

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Em 2024, quatro em cada dez crianças brasileiras viviam em situação de pobreza. No total, 15,4 milhões de crianças com até 12 anos tinham renda domiciliar per capita de até meio salário-mínimo, o equivalente a R$ 706 por mês ou R$ 23,50 por dia. Os dados foram compilados pelo Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2026, publicação da Fundação Abrinq.

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O que é pobreza infantil?

Pobreza infantil é a condição em que crianças vivem em domicílios com renda insuficiente para garantir acesso a necessidades básicas como alimentação adequada, moradia, Saúde e Educação. No Brasil, o critério utilizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considera em situação de pobreza as famílias com renda domiciliar mensal per capita de até meio salário mínimo. A pobreza extrema corresponde a renda de até um quarto do salário mínimo.

Quantas crianças vivem na pobreza no Brasil?

Segundo a publicação, em 2024 – dado mais recente:
  • 40,8% das crianças com até 12 anos viviam em situação de pobreza, o equivalente a 15,4 milhões de crianças;
  • 40,9% das crianças com até 6 anos viviam em situação de pobreza, o equivalente a 8,2 milhões de crianças;
  • 14,7% das crianças com até 12 anos viviam em pobreza extrema, o equivalente a 5,5 milhões de crianças;
  • 14,4% das crianças com até 6 anos viviam em pobreza extrema, o equivalente a 2,9 milhões de crianças.
  • Para a população brasileira em geral, a taxa de pobreza em 2024 foi de 24,5%, ou seja, 53,1 milhões de pessoas.
Como a pobreza infantil se distribui pelas regiões do Brasil

A concentração de crianças em situação de pobreza varia consideravelmente entre as regiões. Entre crianças com até 6 anos em situação de pobreza, a distribuição em números absolutos em 2024 foi:
  • Região Nordeste: 3,4 milhões de crianças;
  • Região Sudeste: 2,3 milhões de crianças;
  • Região Norte: 1,2 milhão de crianças;
  • Região Sul: 617 mil crianças;
  • Região Centro-Oeste: 527 mil crianças.
Em termos proporcionais, as regiões Norte e Nordeste concentram as maiores taxas de pobreza infantil. No Norte, 57,7% das crianças com até 6 anos viviam em situação de pobreza em 2024. No Nordeste, esse percentual chegou a 61,6%.

Pobreza infantil e desigualdade racial

Os dados da publicação mostram uma desigualdade expressiva entre crianças brancas e pretas ou pardas. Entre crianças com até 12 anos com renda domiciliar per capita de até um quarto do salário-mínimo, havia em 2024 cerca de 1,5 milhão de crianças brancas e 4 milhões de crianças pretas ou pardas.

A concentração se inverte nas faixas de renda mais alta: entre crianças em domicílios com renda per capita acima de cinco salários-mínimos, 78,5% eram brancas e 19,3% eram pretas ou pardas.

Quais são os efeitos da pobreza no desenvolvimento infantil?

A pobreza na infância afeta múltiplas dimensões do desenvolvimento. Crianças que crescem em situação de vulnerabilidade econômica podem ter menor acesso à alimentação adequada, ao saneamento básico, à saúde preventiva e à educação de qualidade. Os efeitos aparecem desde os primeiros anos de vida e podem se estender pela adolescência e vida adulta.

O próprio Cenário da Infância e da Adolescência 2026 aponta conexões entre pobreza e outros indicadores críticos: a desnutrição atingia 3,6% das crianças de até 5 anos em 2024, e o déficit de altura, sinal de desnutrição crônica, afetava 11,7% das crianças dessa faixa etária. Além disso, 34,2 milhões de pessoas no Brasil não tinham acesso à rede de distribuição de água em 2023, e 81,8 milhões estavam sem acesso à coleta de esgoto, condições que afetam diretamente a saúde das crianças.

Fonte: Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente