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FMCSV - Seminário em Brasília debate dados inéditos da OCDE sobre o desenvolvimento de crianças de 5 anos no Brasil
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- Criado em 20/05/2026

Foto: Divulgação/FMCSV
Encontro realizado nesta terça-feira (12), em Brasília, reuniu representantes da OCDE, do MEC e especialistas para discutir os resultados do Estudo Internacional das Aprendizagens e Bem-estar na Primeira Infância (IELS)
Nesta terça-feira (12), Brasília recebeu o seminário “Aprendizagem e bem-estar na Primeira Infância: evidências para as políticas públicas”, que reuniu representantes do poder público, pesquisadores e organizações da sociedade civil ligadas à educação e à primeira infância para debater dados inéditos sobre aprendizagem e desenvolvimento infantil no Brasil.
O encontro ocorreu no auditório da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e contou com cinco mesas de debate ao longo do dia, das 8h30 às 17h30. O foco foi a divulgação dos resultados do Estudo Internacional das Aprendizagens e Bem-estar na Primeira Infância (em inglês: International Early Learning and Child Well-being Study – IELS), iniciativa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que avalia o desenvolvimento de crianças de 5 anos matriculadas na pré-escola.
Assista ao seminário completo aqui:
O que é o IELS?
O IELS inova ao olhar para as crianças de forma integral, se preocupando em compreender os contextos familiares e as desigualdades que afetam a primeira infância. Além do Brasil, a iniciativa foi realizada em mais oito países – Azerbaijão, Bélgica, China, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Holanda, Inglaterra e Malta.
“O estudo não traz só a perspectiva da educação; ele avança para as famílias. Esse é um debate importante porque o desenvolvimento da criança é integrado: a escola e a família são diferentes espaços promotores e complementares nesse caminho”, destacou Marina Chicaro, diretora de Políticas Públicas da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, durante uma das mesas.
No Brasil, a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal liderou uma coalizão formada por nove entidades (B3 Social, Colibri Capital, Fundação Lemann, Fundação Lia Maria Aguiar, Instituto Beja, Instituto Tecendo Infâncias, Itaú Social, Perfin Wealth Management e SESI), que ajudaram a mapear dados sobre aprendizagem e desenvolvimento de crianças em três estados: Pará, Ceará e São Paulo.
O presidente do Conselho Nacional do SESI (Serviço Social da Indústria), Fausto Augusto Junior, destacou a importância dessa articulação institucional. “Foi extremamente importante conseguir juntar este conjunto de entidades que apoiam a educação no Brasil, e em especial a educação infantil, para viabilizar esse estudo”, comentou.
A pesquisadora Mariane Koslinski, do Laboratório de Pesquisa em Oportunidades Educacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LaPOpE/UFRJ), coordenou o IELS no Brasil em conjunto com o professor Tiago Bartholo. Ela comemorou a alta taxa de adesão dos municípios mapeados.
Dos 91 municípios inicialmente planejados, 89 participaram efetivamente da pesquisa, incluindo as capitais e cidades do interior dos três estados analisados. Ao todo, foram 210 escolas participantes (80% públicas e 20% privadas) com 2.598 crianças (idade média de 5,5 anos), além dos pais/responsáveis e professores.
“Foi um grande sucesso em termos de participação. Isso torna o nosso estudo mais robusto e nos dá mais certeza de que os resultados são representativos daqueles territórios”, afirmou Mariane.
Para o Estudo Internacional das Aprendizagens e Bem-estar na Primeira Infância, foram avaliadas três áreas de desenvolvimento através de atividades lúdicas com as crianças:
- Aprendizagens fundamentais: literacia e numeracia emergentes;
- Funções executivas: memória de trabalho, flexibilidade mental e controle inibitório;
- Habilidades socioemocionais: empatia (identificação e atribuição de emoções), confiança, comportamento pró-social e comportamento não disruptivo.
Esses dados são essenciais para a gestão da educação infantil, pois fornecem subsídios para que gestores aprimorem as políticas públicas e o atendimento em creches e pré-escolas. Os resultados funcionam como uma ferramenta para identificar gargalos e potencialidades, garantindo que os recursos e processos pedagógicos sejam adequados para promover aprendizagens significativas.
[Clique aqui para ver o estudo completo]
Paulo Mol, diretor-superintendente do SESI, ressaltou esse potencial dos dados para fortalecer as políticas públicas voltadas à educação infantil: “Investir em educação na primeira infância é a base de tudo. Desejo que este estudo mobilize pessoas, empresas, agentes públicos e privados para a transformação do nosso país”.
A opinião é compartilhada por Marina Chicaro. “Temos um compromisso com o direito constitucional à educação e com o combate às desigualdades. Se aprofundar nos dados brasileiros permite que possamos discutir os desafios e potências do nosso país para orientar a formulação de políticas públicas e reduzir essas desigualdades”, finalizou a diretora de Políticas Públicas.
Fonte: Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal

