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FUNDAÇÃO JOSÉ LUIZ SETÚBAL - Canetas emagrecedoras na infância: o que os pais precisam saber antes de qualquer decisão
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- Criado em 31/07/2026

Foto: Magnific
O Brasil pode ter metade das crianças e adolescentes com sobrepeso ou obesidade até 2035 — esse é o dado do Atlas Mundial da Obesidade 2024, da Federação Mundial de Obesidade. No país, 1 em cada 3 crianças entre 5 e 9 anos já está acima do peso, segundo o IBGE. Ao mesmo tempo, cresce nas redes sociais a discussão sobre as canetas emagrecedoras e, com ela, a dúvida de muitos pais: esse tratamento é adequado para crianças?
A resposta não é simples. E entendê-la começa pelo diagnóstico.
Obesidade infantil não é só excesso de peso
A obesidade é reconhecida pela OMS como uma doença crônica, não apenas um hábito ruim ou uma questão de força de vontade. Na infância, ela resulta de uma combinação de fatores genéticos, ambientais e comportamentais que se intensificaram nas últimas décadas, especialmente com o avanço dos alimentos ultraprocessados e o aumento do tempo de tela.
O diagnóstico em crianças segue critérios distintos dos usados para adultos. O Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) adotam as curvas de crescimento da OMS, que consideram o Índice de Massa Corporal (IMC) por idade e sexo.
Nessa avaliação, o pediatra ou endocrinologista pediátrico analisa também a circunferência abdominal, a pressão arterial e exames laboratoriais para identificar eventuais complicações, como resistência à insulina, alterações no colesterol ou gordura no fígado.
Por que a condição se instala?
O consumo precoce e frequente de ultraprocessados (produtos com alto teor de açúcar, gordura e sódio, mas baixo valor nutricional) está entre os principais fatores associados ao ganho de peso na infância. O Ministério da Saúde aponta a alimentação inadequada como uma das principais causas do problema no Brasil. A isso se somam o sedentarismo, o tempo excessivo de tela e, em alguns casos, predisposição genética — especialmente quando um ou ambos os pais também têm obesidade.
Como o tratamento é organizado
A SBP recomenda uma abordagem progressiva. O primeiro passo é sempre a mudança de hábitos: alimentação orientada por nutricionista ou nutrólogo e aumento da atividade física. Se em 3 a 6 meses não houver melhora no IMC, o acompanhamento se torna mais estruturado, com suporte psicológico e avaliação endocrinológica. A farmacoterapia entra apenas quando as intervenções comportamentais não foram suficientes — e sempre dentro de critérios clínicos definidos.
O papel das canetas emagrecedoras
As chamadas "canetas emagrecedoras" são análogos do GLP-1 (peptídeo-1 semelhante ao glucagon) — classe de medicamentos que age nos hormônios relacionados ao apetite e à saciedade. No Brasil, a ANVISA aprovou o uso de liraglutida e semaglutida a partir dos 12 anos, para adolescentes com IMC igual ou superior a 30 kg/m² que não responderam às mudanças de estilo de vida e estejam em acompanhamento médico contínuo.
Estudos publicados em 2025 e 2026 apontam que esses medicamentos são eficazes: a semaglutida levou 73% dos adolescentes participantes a reduzir ao menos 5% do IMC, contra 18% no grupo placebo. Ainda assim, 64,8% dos adolescentes relataram efeitos adversos gastrointestinais (náusea, vômito, desconforto abdominal), o que reforça a necessidade de acompanhamento próximo.
É igualmente preocupante o uso fora dos critérios aprovados: dados do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados mostram que, em janeiro de 2026, das 3.385 caixas vendidas para menores de 18 anos, 2.542 foram prescritas fora da faixa etária recomendada.
Esses medicamentos substituem os hábitos saudáveis?
Não. Os análogos de GLP-1 funcionam como adjuvantes, ou seja, são ferramentas que potencializam os resultados de uma abordagem já estruturada, não um atalho independente. Prescrever qualquer desses medicamentos sem avaliação individualizada, sem acompanhamento e sem mudança de hábitos é usar um recurso de forma inadequada e potencialmente prejudicial.
Quando buscar avaliação especializada
A endocrinologia pediátrica do Sabará Hospital Infantil atende crianças e adolescentes com suspeita de obesidade e condições associadas, como alterações hormonais, resistência à insulina e diabetes tipo 2. O acompanhamento envolve avaliação clínica detalhada, exames e, quando indicado, integração com nutrologia e outras especialidades do Centro de Excelência.
Se o seu filho está acima do peso ou você tem dúvidas sobre o uso de medicamentos para emagrecimento, a decisão mais segura começa com uma consulta com um especialista.
Agende agora uma consulta ou solicite os exames indicados pelo médico responsável pelo acompanhamento da criança!
Dr. Matheus Alvarez - Endocrinologista Pediátrico
Fonte: Fundação José Luiz Setúbal

