Notícias das Associadas
Em nova fase, NBEE reforça tradição da FESPSP de formular projetos estratégicos para o país
- Detalhes
- Criado em 11/08/2026

Conselho Superior da Fundação reativa Núcleo Brasil de Estudos Estratégicos, que reúne pesquisadores, gestores e especialistas para promover o debate público e elaborar propostas sobre Geopolítica, Política Industrial, Estado e Trabalho
A Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo fortalece sua atuação no debate sobre o desenvolvimento sustentável do país com a retomada dos trabalhos do Núcleo Brasil de Estudos Estratégicos (NBEE). Vinculado ao Conselho Superior da instituição, o grupo reúne pesquisadores, gestores públicos e especialistas para analisar desafios estruturais e formular propostas nos campos econômico, social, institucional e ambiental.
Até setembro, o repositório institucional da FESPSP deve receber a primeira de uma série de publicações temáticas do NBEE.
A reativação do Núcleo integra um processo de reconstrução intelectual e fortalecimento do projeto acadêmico da FESPSP, explica o sociólogo Vicente Carlos Y Plá Trevas, vice-presidente do Conselho Superior e um dos coordenadores do grupo.
“Essa nova fase do NBEE surge após a renovação de uma parte importante do nosso Conselho Superior, que passou a incorporar atores com trajetórias não apenas acadêmicas, mas também ligadas a políticas públicas”, afirma Trevas, que possui experiência na gestão pública federal e municipal.
De acordo com o Prof. Dr. Ubiratan de Paula Santos, presidente do Conselho Superior e coordenador-geral do NBEE, a reorganização começou a tomar forma em 2024, a partir de uma proposta apresentada por Trevas. A iniciativa recupera a experiência do Núcleo, criado originalmente em 2015, e a atualiza diante dos novos desafios enfrentados pelo Brasil.
“Nosso papel como instituição progressista é provocar debates na sociedade civil que possam pautar a política brasileira em áreas que julgamos essenciais para enfrentar os desafios estruturais do Brasil contemporâneo”, explica Santos.
Trevas acrescenta que a renovação do Conselho Superior também estimulou a FESPSP a buscar novas formas de contribuir para a formulação de políticas públicas e projetos de desenvolvimento econômico e socioambiental pensados para o país.
“Percebemos que havia condições de retomar o Núcleo Brasil de Estudos Estratégicos não só pelo fato de termos ideias e temas a serem abordados, mas porque passamos a reunir pessoas com as qualificações necessárias para assumir esse desafio”, diz Trevas.
Quatro eixos para pensar o Brasil
A nova etapa do NBEE está organizada em quatro eixos: inserção internacional do Brasil no contexto geopolítico e regional; política industrial; centralidade do Estado diante da crise institucional e das disfuncionalidades constitucionais; e condições do mercado de trabalho.
Os grupos têm promovido reuniões e articulações com lideranças políticas, diplomatas, magistrados, acadêmicos, profissionais da comunicação e representantes de entidades e organismos internacionais, além de especialistas nas áreas abordadas.
Inserção internacional e geopolítica
O Eixo 1 é liderado pela socióloga Maria Silvia Portela de Castro, vice-presidente do Conselho Superior da FESPSP e especialista em relações internacionais e América Latina.
Formado por especialistas, acadêmicos, empresários e sindicalistas, o grupo tem realizado encontros mensais sobre a conjuntura geopolítica latino-americana e recebe convidados para discutir temas específicos.
“Nossas ações incluem a criação de um grupo de trabalho focado nas relações envolvendo Brasil e China”, afirma Maria Silvia. “Em um cenário marcado por guerras e pelo avanço da direita, em especial pela postura abusiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o Brasil precisa defender a própria soberania.”
Reindustrialização e política industrial
O Eixo 2 é liderado pelo economista Antonio Prado, membro do Conselho Superior da FESPSP, vice-presidente do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP) e coordenador em São Paulo da Associação Brasileira de Economistas pela Democracia (Abed).
O NBEE defende a política industrial como um dos pilares do desenvolvimento sustentável brasileiro. Segundo Prado, o país viveu um período de industrialização e crescimento econômico que perdeu força a partir dos anos 1990, em meio à mudança do perfil predominante do empresariado e à ampliação da influência do setor financeiro.
Um dos principais resultados do eixo foi o Ciclo de Seminários Neoindustrialização e Política Industrial. Realizada em quatro encontros entre agosto de 2025 e março de 2026, a programação reuniu especialistas para discutir os caminhos do desenvolvimento brasileiro e o papel da política industrial. A íntegra dos seminários e mais de 20 cortes com os principais temas debatidos já estão disponíveis para consulta no repositório institucional da FESPSP.
Promovido com o apoio do Corecon-SP e da Abed, o ciclo dará origem a uma edição especial da revista Cadernos de Economia e Política, publicação da Cátedra Celso Furtado. Nesse momento de reativação, o NBEE também fortalece vínculos e compartilha atividades com a Cátedra; a edicão especial da revista inaugura a parceria abordando a neoindustrialização, a transformação produtiva e as condições necessárias para o enfrentamento de desafios como a crise climática, a dependência tecnológica e a perda de densidade industrial. A ideia é que cada eixo do Núcleo possa consolidar as principais conclusões dos trabalhos realizados nos últimos anos por meio de publicações próprias, a exemplo da edição especial da revista.
Estado, orçamento e capacidade de coordenação
Sob a responsabilidade de Trevas e da profª Drª Carolina Requena, docente da FESPSP, o Eixo 3 discute a centralidade do Estado diante da crise institucional e das disfuncionalidades constitucionais.
O grupo pretende aprofundar o debate sobre o funcionamento das instituições democráticas, o orçamento público e a capacidade de execução do Estado. Para Trevas, parte das dificuldades de articulação das políticas conduzidas pelos ministérios decorre da institucionalização das emendas parlamentares e da fragmentação da gestão orçamentária.
Representantes do eixo estiveram em Brasília para apresentar o projeto ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino e convidá-lo a contribuir com as discussões. A agenda também abrange a capacidade estatal de planejar, coordenar investimentos e implementar políticas de desenvolvimento econômico, trabalho, proteção social e sustentabilidade.
Transformações no mundo do trabalho
O Eixo 4 é liderado pela economista e conselheira Marilane Oliveira Teixeira, pesquisadora do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE-Unicamp).
Entre as atividades relacionadas ao eixo está a aula magna “Como entender os rumos do Brasil no século XXI”, ministrada em março de 2026 pelo economista e presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marcio Pochmann, aos estudantes da pós-graduação da FESPSP. A aula completa está disponível em nosso canal no YouTube.
Outra iniciativa foi o Seminário Internacional Sindicalismo na Nova (Des)Ordem Mundial, realizado em 30 de junho e 1º de julho de 2026. O encontro reuniu palestrantes do Brasil e do exterior para discutir as transformações no mundo do trabalho. Articulada por Maria Silvia Portela de Castro, a atividade foi promovida em parceria com o Instituto Lavoro, o Washington Brazil Office (WBO) e o Observatório sobre Direitos Trabalhistas e Sociais Internacionais (ODTI). O evento foi transmitido ao vivo e o vídeo do encontro pode ser assistido em nosso canal no YouTube.
As discussões abrangem ainda a digitalização, o trabalho por aplicativos, a Reforma Trabalhista de 2017, o avanço do microempreendedor individual (MEI), a informalidade e as ameaças à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Na avaliação de Marilane, a Reforma Trabalhista fragilizou a CLT e contribuiu para o aumento da pejotização. “Os ataques à CLT são históricos e associados justamente à ideia de que há excesso de regulamentação. Para empregadores, esse excesso de rigidez impediria que eles possam, de certa forma, ter mais liberdade de contratação e dispensa de trabalhadores sem que isso represente um ônus maior”, explica.
Tradição de contribuir para o debate público
A atuação do NBEE reafirma a tradição da FESPSP de refletir sobre os rumos do Brasil e propor soluções para um futuro menos desigual, com justiça social e sustentabilidade, na perspectiva da ciência social aplicada — marca da trajetória da Fundação.
Para Ubiratan de Paula Santos, o NBEE pode contribuir para organizar debates amplos, capazes de conectar pautas específicas a uma agenda nacional, construir interpretações sobre os grandes temas brasileiros e oferecer subsídios para a formulação de políticas públicas. “Nossa instituição tem uma tradição histórica de contribuir com o debate público e a produção de diagnósticos […] sobre o Brasil, suas demandas e as políticas que melhor atendam à maioria da população.”
Fonte: Fespsp

