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Empreendedorismo Social: o desafio de obter lucro

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O empreendedorismo social apresenta os mesmos problemas que qualquer outro negócio enfrenta além de desafios únicos para entregar o valor, retorno e o impacto social que requer.

Gerar valor comercial, social, ser sustentável e ainda ter lucro? Por que não?

A diferença entre um negócio social e uma empresa tradicional é que o empreendedor social visa executar idéias inovadoras, usar da criatividade para resolver problemas sociais de grande escala, procurando também de alguma forma ser sustentável. Um verdadeiro negócio social deve ser auto-suficiente, mas como inovar, ser sustentável e se manter?

Como cuidar dos outros, de si mesmo e ter lucro?

Sim, lucro! Muhammad Yunus chama de “lucro modesto”, mas todo conceito pode ser potencializado e não sou eu que vou fazer isso agora, não vim trazer uma solução, mas deixo aberto o desafio, discussão e críticas.

O objetivo do negócio social é superar a pobreza e um ou mais problemas (tais como educação, saúde, acesso a tecnologia, e meio ambiente) que ameaçam o desenvolvimento social e prejudicam a maximização de lucro.

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Investidores recebem de volta apenas a quantia que investiram. Nenhum dividendo é dado além dessa quantia.

O capital humano (serviços) não pode ser um investimento além de dinheiro, dando retorno financeiro? A expansão de um negócio social não pode se utilizar de outros meios para se expandir, como micro franquias?

Os negócios sociais são de fins lucrativos, diferente dos sem fins lucrativos – também chamados de organizações sociais, que tradicionalmente se mantêm com auxílios do governo ou doações. Ambos merecem crédito e criatividade para aumentarem seu impacto social.

Alguns negócios sociais conseguem gerar renda suficiente através da venda de bens ou serviços socialmente benéficos ao meio que se introduzem, mas não são muitas que revertem em lucro real. Expandir o alcance da empresa, melhorar o produto ou serviço e atingir a missão social é um grande desafio.

Muitos negócios sociais no caminho se perdem na dependência do investimento de outras empresas, para tornar projetos e ações sociais viáveis, onde a saída criativa cai perante a ajuda de institutos e governo, descaracterizando o negócio social. E, sim, a grande maioria merece e deve manter assim suas atividades, mas não como um negócio social.

“Mas quero lucrar com meu empreendimento social, e acredito ter o modelo que pode gerar retorno!”
Não se culpe!

Isso ainda é um “tabu”. Lucrar com o bem social, quanto?

Muitos investidores dos métodos tradicionais estão desconfiados de empresas sociais, pois se acredita que a geração de riqueza diminui o impacto no valor social. O negócio social pode (e deve) sim oferecer valor comercial, tornando o valor social um adicional para causar mais impacto que ações sociais, que muitas vezes servem para promover empresas e instituições, e logo após o impacto inicial gerado se afastam ou abandonam projetos no meio, ou não dão acompanhamento devido após resultados, não tornando estas ações duradouras e realmente impactantes. Chamo de “ação social marketeira”.

Quantos projetos apresentam suas medições de resultado de impacto depois de realizados em longo prazo? Mas isso é outra história…

A combinação valor social x valor comercial não é facilmente medida. Como qualquer negócio é preciso identificar a oportunidade, uma estratégia de longo prazo, definir objetivos apropriados e impulsionar o crescimento de forma sustentável, gerando os impactos sociais a que se propõem.

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E reforçar um negócio social éextremamente importante para que ele se mantenha sustentável para o fornecimento de produtos e serviços. O modelo de negócio social, através de parcerias, pode gerar mais benefícios em rede. Um ecossistema de negócios sociais.

Diminuição de repasses para os beneficiados por produtos e serviços através de acordos entre parceiros e fornecedores deste ecossistema e busca de incentivos em escala são algumas coisas que ajudariam no aumento do impacto do objetivo social, ético ou ambiental, com diminuição de custos e aumento do retorno.

Empresas que pensem e tenham objetivos parecidos, redes sociais a fim de repassar valor tornando o capital de investimento humano ferramenta nas ações sociais, a colaboração como investimento de capital objetivando o retorno para a empresa, os envolvidos e os própriosprojetos tornando o negócio mais sustentável… seria uma solução?

Ainda não observo limitações nos objetivos de lucro de um negócio social, desde que este esteja realmente comprometido em entregar seu valor social, avaliando e acompanhando sempre. Rever continuamente a estratégia e trabalhar para melhorá-la é essencial, mas as mudanças bruscas podem causar incertezas e diminuir o impacto da organização ou o retorno financeiro. Portanto, equilibrar bem seu valor comercial e o valor social é premissa.

Se você quer ter um empreendimento social e não dispõe de toda estrutura e apoio que necessita, use do ativo criatividade. Tenha um objetivo claro de valor social, ético ou ambiental, encontre um meio de capitalizar isso sem culpa, mobilize sua rede e mãos a obra. Primeiro ajude muito, a maior quantidade possível. Lucre depois.

Exponha suas idéias engavetadas, mesmo que ruins, ainda são só idéias.

Fonte: Comunitas