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Os desafios do advocacy no terceiro setor no Brasil

Especialistas compartilham principais pontos de evento internacional, os desafios de advocacy aqui no país e cases de sucesso.

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Jornalista falou sobre panorama atua e a proposta da Cause na defesa de interesse nas organizações brasileiras. (Crédito da imagem: Divulgação)


“Processo organizado e planejado de informar e influenciar tomadores de decisão, por meio de conscientização e engajamento de outros atores da sociedade, com o objetivo para promover mudanças ou manutenção em uma política pública de interesse amplo e baseada em evidências concretas”. Esse foi o conceito de advocacy defendido pela agência Cause apresentado por Christian Miguel, jornalista com experiência em branded content e conteúdos de finanças e de economia, na palestra sobre defesa de interesses nas organizações brasileiras dentro do evento As últimas tendências em comunicação de causas e advocacy, organizado pela consultoria Cause, em que compartilhou conteúdo do ComNet Insights 2017, um evento com tendências em comunicação de causas. Esse encontro também trouxe os destaques do estudo da empresa sobre advocacy e participação do presidente da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal para mostrar experiência de sucesso na área de primeira infância.

Para contextualizar, o comunicador fez um resgate histórico em que pontuou: o conceito de esfera pública do filósofo Jürgen Habermas, o ideal democrático de Norberto Bobbio e a sociedade em rede, de acordo com a teoria criada por Manual Castells. Todos esses especialistas estudaram diferentes teorias da comunicação que refletem no funcionamento da opinião pública e na forma das relações das pessoas.

O jornalista ainda citou que a Netchange Consulting, que desenvolve pesquisas na área, ressaltou três tipos básicos de advocacy: 1º campanhas institucionais, que possuem comando central e do governo, interesse de grupos específicos e pouco dinamismo. Para ilustrar esse movimento, citou o exemplo da American Association of Retired People, que abrange 40 mil pessoas e tratam dos seguintes temas: moradia, combate à fome e geração de renda. Aqui no Brasil, o exemplo seria a Confederação Nacional da Indústria com mais de mil sindicalistas, que atuam na desburocratização, tecnologia e inovação e micro, pequenas e médias empresas, conhecida como MPME.

Em segundo estão as campanhas horizontais, que possuem comando central pulverizada, uso intensivo de redes sociais, ampla manifestação de massa de desafio ao status quo. Foi o que ocorreu no episódio da Primavera Árabe em 2010 no Egito com a queda de um governante autoritário. “Trata-se de um tipo de manifestação organizado nas redes sociais, com ânimos exaltados e sem lideranças claras. Já aqui no Brasil foi correspondente às manifestações brasileiras de junho de 2013, com 1,2 milhões de pessoas em 400 cidades.

Depois desse episódio ocorreu uma série de manifestações para outras demandas”.
Por fim, a 3ª questão foi a campanha em rede, caracterizada com comando definido, mas descentralizado; planejamento e objetivos claros; e comunicação cirúrgica e local. Citou o exemplo da organização The Athlantic Philantropics Abolition 2025, lançado em 2006. Em Washington Post/ABC, foram 66% favoráveis em 2005 e 60% em 2016. De 2007 a 2013 quatro Estados aboliram a pena. Em 2015 foi o menor ano com execuções desde 1976. Hoje apenas 2% de dois territórios americanos chegam na metade das execuções. No Brasil, esse movimento corresponde ao Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral iniciado em 2002, com mais de 60 entidades participantes e comitês municipais e estaduais, sendo que a principal conquista foi a Lei da Ficha Limpa em 2010.


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“Toda campanha de advocacy tem lobby, mas nem todo lobby está relacionado com advocacy”, afirmou o jornalista. (Crédito da imagem: Divulgação)
Advocacy no Brasil


Christian ainda explicou sobre os desafios e referências dessa área aqui, com as principais questões: limites de atuação e advocacy e lobby. Ressaltou que o advocacy é multidisciplinar, já lobby é um dos pilares. Comentou ainda sobre a PL 1202 de 2007 defendida pelo deputado Carlos Zarattini no final do ano passado e ainda está na Câmara.

O jornalista ainda citou o case da Aliança de Combate ao Tabagismo criado em 2006 com a Convenção do Quadro da ONU para Controle do Tabaco e vieram a criação das leis Antifumo de São Paulo, em 2009, e Lei Federal Antifumo, de 2011 a 2014. Atualmente a organização possui novas causas: controle do alcoolismo, alimentação saudável e atividades física.

Outro exemplo compartilhado foi a Coalização em torno da Agenda pela Biodiversidade MP2001, criado pelo Movimento Empresarial pela Biodiversidade, em que participa Grupo Farma Brasil e conseguiram aprovar o marco regulatório em 2015 e regulamentado por decreto em 2016.

Primeira infância: case de sucesso

O presidente da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal Eduardo de Campos Queiroz, administrador, comentou sobre o foco da organização para a primeira infância, dos zero aos três anos de idade. Ele comentou sobre a mudança de foco da organização a partir de 2011, aumentando a equipe de comunicação tão importante quanto a programática. Ressaltou que hoje no Brasil são 19.632.111 crianças nessa faixa etária. E ressaltou que a área ainda apresenta: políticas públicas bem descentralizadas, programas governamentais focados na sobrevivência e no cuidado e sociedade e lideranças públicas sem conhecimento sobre esse público.

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Presidente da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal explicou posicionamento estratégico da organização em suas campanhas. (Crédito da imagem: Divulgação)


Entre os profissionais da saúde, Eduardo comentou que os pediatras ainda têm uma visão sobre doença. “Numa pesquisa do Ibope, a grande maioria das classes A e E desconhecem a importância da primeira infância e os principais focos estão no Norte e Nordeste. Nossa causa é promover o pleno de desenvolvimento da criança”. A organização atua nos temas de educação infantil, nos modelos em políticas e práticas priorizadas e serviços de proteção às famílias das classes C e D para que sejam informadas e sensibilizadas. “A maioria ainda discute demanda e a qualidade, como fica? Na educação infantil não se discute qualidade”, enfatizou.

Eduardo citou um dado importante: 70% das crianças de zero a três anos estão fora das creches. Eduardo comentou sobre o atendimento desigual dado para as famílias. Comentou que a organização está trabalhando muito com parcerias e 27 pessoas da sua equipe estão mapeando quem são as instituições que já falam numa linguagem simples para esse público para as classes C e D.

Para isso, a organização testa modelos e observa que é importante receber recursos, medir o impacto de suas ações, sistematizar e oferecer dados. Busca trabalhar na mobilização de lideranças, contribuir na qualificação da informação para a sociedade e capacitar os profissionais de imprensa. As ações estratégicas apresentadas foram: o Núcleo Ciência pela Infância , uma iniciativa colaborativa pelo desenvolvimento da primeira infância com a participação de organizações importantes da área; dois cursos no Insper de programas de lideranças executivas, atendendo lideranças públicas, profissionais e jornalistas, cerca de 353 pessoas, 23 Estados e sete edições; e a construção, articulação e aprovação do Marcelo Legal da Primeira Infância, aprovado pelo Senado Federal em fevereiro de 2016.

O palestrante ainda explicou como foi o trabalho de articulação para a produção do filme O Começo da Vida, em parceria com o Instituto Alana e outras organizações do segmento. Hoje o filme está presente em 89 países com mais de sete mil exibições dublado em seis e legendado em 23 idiomas. “A criação desse filme possibilitou um movimento com conteúdo, parceria e ferramenta, já que o Instituto Alana oferecia a plataforma Videocamp que divulga filmes de causas e de engajamento”.


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Após as apresentações, os palestrantes responderam dúvidas do público. (Crédito da imagem: Divulgação)


Fonte: Setor 3