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Professor do Senac São Paulo fala sobre avanços e desafios em mobilização de recursos

not 12 03 2019 4

Michel Freller, empreendedor e palestrante, conversa com Setor3 e fala sobre a área de mobilização de recursos.

“Os recursos existem, eles não faltam. Falta saber acessá-los da maneira correta”, afirma Michel Freller, professor, empreendedor social e vice-presidente do conselho deliberativo da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR). Ele conversou com o Setor3 sobre possíveis mudanças na área de captação de recursos a organizações da sociedade civil após a aprovação da medida provisória nº 870/2019, destinada para monitorar e coordenador esses órgãos e organismos internacionais.

Em sua análise, as mudanças políticas estão ainda no começo e não é possível avaliar alteração na captação de recursos. “Sabe-se que as empresas estatais terão sim mudanças e serão direcionadas mais a projetos sociais. Para as pessoas que trabalham nesse setor, é uma boa mudança. Já para aqueles que atuam em shows, artistas, por exemplo, não é uma boa alteração. Depende muito da área de atuação do mobilizador. A minha expectativa é ter mais pontos de captação, saindo do eixo Rio-São Paulo”, defende.

O professor da Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e do Senac São Paulo ainda comenta que o monitoramento a esses atores sempre ocorreu. “Não vejo como um grande problema, porque elas já fazem isso. Também não consigo ver mudanças. Cada vez mais está crescendo doação de pessoas físicas aos projetos e reduzindo de governos e empresas. Isso é uma tendência e não tem relação com este governo”, opina.

O consultor ainda esclarece que a maioria das organizações pegam recursos públicos. “Das 820 mil organizações sociais, somente sete mil recebem recursos públicos. O ruim é que muitas dessas que conseguem acessar verba pública dependem até 90% do governo”, ressalta. O pesquisador da área de terceiro setor fala ainda que é necessário buscar esse equilíbrio na mobilização de recursos, de empresas, governo e de pessoas. “Quando você depende de uma pessoa é tão ruim, quanto você depende somente do governo. Ter apenas uma estratégia é ruim independente de quem seja”, conclui.

O professor ainda sinaliza que a área de mobilização de recursos ainda irá crescer muito. “A busca por profissionalização é uma busca constante e as organizações se preocupam em se comunicar de forma correta e mais transparente. Elas caminham por melhorias. O desafio é ter pessoal preparado para fazer esse tipo de trabalho”.

O pesquisador ainda analisou que muitas organizações estão vendendo produtos. “Há uma tendência mundial. Se você quiser vender teu projeto com uma boa ideia, também pode vender produtos e até fazer marketing digital”, afirma Michel.

Fonte: Setor 3