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Cultura de doação no Brasil: por que as organizações precisam olhar para os jovens

not 22 05 2019 4

Em que posição você colocaria o Brasil em um ranking mundial de solidariedade? Será que estamos bem ou estamos mal? Este levantamento existe e é feito regularmente. Na sua última edição, de 2018, nosso país teve seu pior desempenho: caímos do 75º para o 122º lugar da classificação.

Estamos falando do Ranking Mundial da Solidariedade – ou World Giving Index – um documento anual organizado desde 2010 pela Charities Aid Foundation que mede o índice de generosidade de um país por três indicadores: ajuda a estranhos, doação a ONGs e voluntariado.

Uma das explicações para esse desempenho está no atraso da cultura de doação no Brasil. Este tema foi abordado no link em destaque, escrito pelos nossos parceiros da Nossa Causa, onde vemos que a cultura de doação do país ainda é afetada por questões políticas, econômicas e sociais. Uma das possíveis razões? Nossa mentalidade voltada ao planejamento de curto prazo. Talvez essa mentalidade seja um dos mecanismos por trás de uma realidade: os brasileiros doam, mas de modo esporádico, sem comprometimento com uma causa a longo prazo.

Podemos ver isto em dados. Neste mês, o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) divulgou a nova edição do estudo Um Retrato da Doação no Brasil, que entrevistou 1.022 pessoas para analisar o comportamento dos brasileiros em relação à doação, voluntariado e engajamento cívico.

Um dos resultados desta pesquisa foi que 70% das pessoas fizeram pelo menos uma doação no período de um ano, entre 2017 e 2018. Mas este número caiu para 40% dos entrevistados quando a pergunta foi sobre doações realizadas nas últimas quatro semanas. E apenas 6% dessas pessoas relatou contribuir de forma anual ou mensal para uma causa.

Mas isso não significa que o cenário não pode mudar. O estudo do IDIS revelou que as novas gerações estão mais engajadas e mais abertas para contribuir com organizações, seja por voluntariado ou por doações. E é sobre este potencial a ser explorado dentro da cultura de doação no Brasil que iremos falar neste texto. Vamos lá?

Potencial dos jovens para ampliar a cultura de doação no Brasil

Maior participação em atividades de impacto social

O estilo de vida influencia na propensão de uma pessoa a contribuir com uma causa. É o que nos aponta o Relatório de Tendências Globais de Doações de 2018, organizado pela Nonprofit Tech for Good em parceria com diversas organizações e negócios sociais (como nós aqui da Doare). Para esta pesquisa, 6.057 doadores de 119 diferentes países foram entrevistados. E o Brasil foi o terceiro país em volume de dados coletados! A ideia era entender como os doadores preferem fazer suas contribuições e como eles se engajam com as causas que apoiam.

Um dos insights do relatório foi mostrar que as pessoas que doam para causas também costumam incluir em suas rotinas atividades que impactam positivamente a sociedade. Exemplos?
  • 92% dos entrevistados reciclam;
  • 72% assinam petições online;
  • 56% participam de eventos de angariação de fundos;
  • 39% doam alimentos;
  • 33% adotaram um animal de estimação de abrigos;
  • 27% participam de manifestações.
Mas onde os jovens entram nisso? Segundo o Retrato da Doação no Brasil, os respondentes com idades entre 18 e 34 anos foram os que apresentaram maior tendência a participar de manifestações no período de um ano, com 24% de respostas positivas. Para comparar, entre as pessoas com mais de 55 anos, apenas 13% estiveram em manifestações. Além disso, os jovens entre 18 e 24 anos também foram os mais dispostos a aderir grupos ou movimentos sociais.

Mais propensão ao voluntariado

Quando o assunto é trabalho voluntário, os jovens também se destacaram no levantamento do IDIS: 51% das pessoas que têm entre 18 e 24 anos se voluntariaram em organizações sociais no período de um ano analisado. A média geral, englobando todas as faixas etárias, ficou mais baixa, e foi de 43%.

O voluntariado é uma das maneiras mais expressivas de engajamento com causas sociais. E pessoas engajadas são mais inclinadas a agirem também contribuindo com doações para sua organização. De acordo com o Relatório de Tendências Globais de Doações, aqui no Brasil 47% dos doadores que foram entrevistados também atuam como voluntários.

Maior percepção do impacto social de uma organização

Por fim, os mais jovens também estão mais conscientes da importância da atuação de organizações sociais no país: 85% deles responderam positivamente à pergunta “Que impacto você acha que as organizações sociais tiveram no Brasil como um todo?”, enquanto a resposta média positiva englobando todos os entrevistados para o estudo do IDIS foi de 73%.

O mesmo padrão se repetiu quando essa pergunta foi voltada para o impacto das organizações no cenário internacional e nas comunidades locais dos entrevistados. Mais uma vez, os jovens apontaram perceber mais essas ações do que a média.

Como a sua organização pode impulsionar a cultura de doação entre os jovens
Como vimos, os jovens estão mais conectados às mudanças sociais e mais dispostos a agirem em prol delas. Para estimular a cultura de doação entre essa geração, sua organização precisa compreender mais a fundo os anseios dessas pessoas e também os modos mais eficazes de se conectar a elas.

Um ponto de partida interessante é o entendimento sobre o que pode estimular mais os jovens a doar (seja tempo ou dinheiro). De acordo com o estudo do IDIS:

  • Ter mais informações sobre as organizações sociais importa para 35% dos jovens;
  • Melhor acesso a formas pagamentos faz diferença para 23% deles;
  • Conhecerem programas de doação no local de trabalho ajudaria 20% dos respondentes;
  • E serem convidados a doar seria um estímulo para 18%.
Ou seja, investir em uma comunicação eficaz e em novos meios para captar recursos – que utilizem principalmente a internet – pode ser a base para alcançar estes jovens. E, quem sabe, um começo de mudança na cultura de doação do nosso país como um todo.

Fonte: Doare