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Como o Brasil pode alcançar as metas da Agenda 2030?

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Evento realizado em SP debateu Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, com foco no ODS 11, relacionado a cidades e comunidades mais sustentáveis

No último dia 13, a Biblioteca Mário de Andrade, localizada no centro de São Paulo, recebeu um evento sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, uma agenda mundial composta por 17 Objetivos e 160 metas a serem alçados até 2030.

Realizado pela primeira vez no país, o Festival ODS se propôs a discutir o ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis e a Nova Agenda Urbana.

O evento se dividiu em duas vertentes: as Trilhas de Soluções, com palestras e entrevistas, e as Trilhas Mão na Massa, com oficinas para que os participantes praticassem formas de colocar os ODS em prática.

O Festival ODS foi organizado pela Agenda Pública – Organização especializada no aprimoramento de serviços públicos –, em parceria com a Estratégia ODS – coalizão que engloba organizações da sociedade para debater a Agenda 2030 – e com financiamento da União Europeia.

Apesar do foco do evento ser o ODS 11, os debates se conectaram aos demais Objetivos. Sérgio Andrade, diretor da Agenda Pública, abordou durante a abertura os impactos da discussão proposta pelo evento.

“Estamos aqui porque problemas complexos são resolvidos através da cooperação. As mudanças urbanas são evolucionárias, não revolucionárias”.

Problemas complexos

Uma das mesas do evento debateu os problemas da gestão pública que o país enfrenta atualmente. O fundador da URBEM, Philip Yang, comentou sobre a viabilidade das soluções.

“Para ter soluções efetivas precisamos ter o equilíbrio entre os poderes econômico, político e social. Se esse tripé não se harmoniza, o crime avança para as comunidades e demais espaços econômicos”.

Outra participante da mesa, a diretora executiva da WRI, Rachel Biderman, ressaltou a importância da coletividade. “As soluções que teremos dependerão cada vez mais da participação pública”.

É possível reduzir as desigualdades?

Pensando na relação entre o cidadão e a cidade, uma das mesas abordou a ligação entre as experiências individuais e a sustentabilidade.

A coordenadora de Desenho Urbano e Mobilidade da Iniciativa Bloomberg para Segurança no Trânsito, Hannah Machado, ponderou sobre como as cidades podem mostrar realidades distintas.

“Ao se deslocar pela cidade você nota diversos problemas, como calçadas em péssimas condições. Isso se dá de forma mais clara nas periferias. Em regiões mais ricas, as calçadas são maiores, há árvores e sinalização”.

A Bloomberg costuma realizar intervenções temporárias que resgatam o uso do espaço público para os pedestres. “Às vezes parece que as cidades não são pensadas para os pedestres. Tentamos mostrar que existem soluções viáveis”.

O coordenador da Mobilab+, Fernando Nogueira, toca no mesmo ponto. “A inovação precisa olhar para as desigualdades, e buscar facilitar a vida das pessoas que transitam pela cidade”.

As desigualdades que guiam as inovações

A desigualdade nas cidades guiou boa parte dos debates do evento. Em uma das mesas, a relação com o trabalho foi abordada.

A presidente do conselho da Fundação Tide Setubal, Andrelissa Ruiz, tocou justamente nos impactos das desigualdades na periferia.

“Se a pessoa é da periferia, ela pensa que ao ter uma ideia inovadora precisará ir até o centro para alcançar investidores, ter visibilidade. E não tem que ser assim”.

A responsável pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho da Cidade de São Paulo, Aline Cardoso, olha para essa necessidade. “Talento não tem CEP. Você pode estar na Berrini, na Faria Lima, em qualquer lugar, se a ideia é boa nada deveria te impedir de crescer”.

Já a responsável pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Patricia Ellen, pondera que “os empreendedores de hoje surgem pela necessidade. É uma desigualdade de séculos. Há um abismo desigual separando as regiões da cidade”.

Um direito fundamental violado

Um problema que ainda atinge 95 milhões de brasileiros foi o tema de um dos debates: a dificuldade de acesso ao saneamento básico.

A assessora da GT água e saneamento do Pacto Global, Giuliana Moreira, chamou atenção para o fato de o país concentrar 12% da água doce do mundo e ainda ter uma população que passa sede.

“Enfrentamos problemas pré-históricos devido ao mau uso destes recursos. As crises hídricas se tornarão problemas frequentes devido à falta de ação”.

Outra componente da mesa, a coordenadora da Aliança pela Água, Marussia Whately, considera que o século XXI é marcado pela escassez, que atinge principalmente os menores de 18 anos. “A falta de saneamento é um problema latente em regiões pobres”.

Exemplo de sucesso no Brasil, o município de Piracicaba tem o “Melhor Saneamento Básico do Brasil”, segundo o ranking ABES da Universalização do Saneamento, pelo terceiro ano consecutivo. O prefeito da cidade, que fica no interior de São Paulo, Barjas Negri, abordou a aplicabilidade da conquista da cidade para outras regiões do país. “Alcançamos 100% de coleta, acesso e tratamento de água e esgoto, mas levamos 30 anos para isso. Foi uma meta coletiva, os prefeitos enfrentaram o problema. É necessário olhar para as necessidades de cada localidade”.

Fonte: Observatório do 3º Setor