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Estudantes da UFSCar criam aplicativo que organiza administração de ONGs



Objetivo da ferramenta desenvolvida pelos alunos de São Carlos (SP) é facilitar as demandas do dia a dia e promover mais interação tecnológica com os atendidos.

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Estudantes da UFSCar criam aplicativo que reúne informação e atividades dos alunos de ONGs São Carlos — Foto: Gabrielle Chagas/G1

Cinco estudantes da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) criaram um aplicativo para reunir todas as informações administrativas de entidades sem fins lucrativos e tornar as atividades do dia a dia mais interativas para os assistidos.

O ‘Picole’, que surgiu de um desafio dentro de uma disciplina, conquistou o segundo lugar do prêmio LF de Computação, que reconhece projetos tecnológicos para melhoria da sociedade, promovido pela Sociedade Brasileira de Computação.

O primeiro lugar do prêmio também foi conquistado por alunos da UFSCar, que criaram um aplicativo que facilita o fluxo de medicamentos das farmácias solidárias.

A ideia

De acordo com a estudante que integrou o projeto Mariana Cavichioli Silva, a proposta de criação de um aplicativo foi feita no início do ano e sugeria que a iniciativa tivesse um peso social.

Por isso, eles escolheram estudar as necessidades da Associação de Capacitação, Orientação e Desenvolvimento do Excepcional (Acorde) – uma instituição que atende pessoas com deficiência em São Carlos – para criarem uma solução.

“A acorde foi uma instituição piloto, então esse aplicativo é genérico para outras entidades também. A ideia é que ele possa justamente ser adaptado conforme as demandas reais”, explicou.
Os estudantes Rafael Bastos Saito, Matheus Ribeiro Silva, Gabriel Nardy e o mestrando Bruno de Azevedo também participaram do projeto.

Funções do aplicativo

O aplicativo tem duas funções. A primeira é a administrativa: a entidade cadastra todas as informações dos atendidos na plataforma digital. Lá, estarão salvos os documentos dos alunos, suas fotos, seu desempenho e seus níveis de necessidades.

A outra é a pedagógica, que é voltada para os profissionais de fisioterapia, fonoaudiologia, educação física, entre outros, cadastrarem as atividades que serão aplicadas para serem executadas pelos atendidos.

De acordo com o professor da disciplina, Cesar Augusto Camillo Teixeira, os jogos criados estão integrados diretamente com o sistema administrativo.

“Enquanto os alunos estão fazendo as atividades, o aproveitamento dele na tarefa que foi passada fica armazenado e, posteriormente, disponível para todos os profissionais saberem qual foi”, disse.
Com isso, o professor pode atualizar os níveis dos exercícios conforme a evolução do aluno e incluir desenhos, fotos, imagens e sons que fazem parte da realidade do atendido.

Jogos interativos

A ideia é que cada atendido tenha um tablet ou celular disponibilizado pela entidade para acessar a sua conta.

Segundo Mariana, incialmente, os jogos seguem cinco padrões de atividades com cores, imagens, sons, vídeos e palavras.

Essas atividades podem variar de acordo com o tema. Por exemplo, se na época do Natal a intenção é abordar o Papai Noel, o educador poderá incluir as mídias com esse tema.

“São atividades que eles já faziam antes, mas com a ajuda da tecnologia podem ser melhoradas. Além disso, em conversa com as educadoras, nós percebemos que o tablet prende mais a atenção dele do que o papel”, explicou.

Na prática

O aplicativo já está em funcionamento na Acorde e recebeu várias atualizações durante o ano.

De acordo com a educadora especial e representante da instituição, Marina Ferrari Tavoni, todas as atividades pedagógicas passaram a ser feitas com auxílio do aplicativo.

"A pedagoga usa o aplicativo de acordo com o planejamento dela e monta as atividades. E como ela ajudou na construção, foi bem legal, pois isso ajudou ainda mais a atender a necessidade dos autistas", disse.
Segundo o professor da UFSCar, o próximo passo é lançar o aplicativo no mercado com apoio de investidores. A previsão para essa parte do processo, segundo o professor, é fevereiro de 2020.

Fonte: G1