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ESG com $ no investimento social

Até meados deste ano, o investimento social da rede BISC já havia somado R$ 2 bilhões

Por Renato Krausz*

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Investimento no longo prazo rende mais graças à ação dos juros compostos. (Getty Images)

Virou algo corriqueiro ouvir CEOs brasileiros dizerem que a capacidade de mobilização das empresas junto à sociedade para enfrentar a maior crise já vista por esta geração da humanidade será um dos grandes legados da pandemia. Faz todo sentido. A solidariedade que emergiu do caos uniu organizações que nunca tinham feito nenhuma parceria ou que sempre competiram entre si.

Tudo isso foi bonito de ver e acaba de ser demonstrado em números. A Comunitas divulgou nesta última semana a pesquisa BISC (Benchmarking do Investimento Social Corporativo), que compreende 303 grandes grupos brasileiros e 18 institutos ou fundações empresariais.

O levantamento mostra que 100% dessas instituições apoiaram iniciativas de organizações sem fins lucrativos e políticas públicas de governos. E 92% delas suportaram iniciativas realizadas em parceria com outras empresas privadas. Mais da metade (58%) executou ações próprias para mitigar os efeitos da Covid-19 na população.

Para dar conta do recado, abriram o cofre. Em todo o ano de 2019, o investimento social da rede BISC somou R$ 2,5 bilhões. Em 2020, somente até meados de julho, já haviam sido R$ 2 bilhões.

Outro levantamento, feito pela Associação Brasileira de Captadores de Recursos, aponta que R$ 5,2 bilhões foram doados até o final do mês passado. Apesar de as amostras de empresas serem ligeiramente distintas, já se pode afirmar que o montante de 2020 será mais que o dobro que o do ano passado.

O desafio agora é manter essa chama acesa para o futuro. O perfil do investimento social mudará a partir deste ano, e os programas de voluntariado corporativo devem ser fortalecidos. O aprendizado de 2020 foi enorme. As empresas da rede consolidaram uma lista com as principais recomendações advindas do processo todo.

Destaco cinco delas: 1) montar uma boa estrutura de governança; 2) estabelecer prioridades, critérios claros e transparentes para a alocação de recursos e planejar bem a estratégia de atuação; 3) capacitar colaboradores e voluntários para o uso de novas tecnologias; 4) trabalhar em rede; e 5) adotar boas estratégias de comunicação.

*Sócio-Diretor da Loures Comunicação

Fonte: Exame