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Estudo mapeia a presença de negros em organizações do Terceiro Setor

not 30 11 2020 6

Realizado pela Associação Brasileira de ONGs, o estudo apura a empregabilidade de pessoas negras no setor entre 2015 e 2019, além de disponibilizar uma cartilha de enfrentamento ao racismo institucional

Por: Mariana Lima

A Associação Brasileira de ONGs (Abong) realizou um estudo de abrangência nacional para mapear a empregabilidade de pessoas negras no Terceiro Setor.

Como base para o levantamento, foram utilizados dados do Ministério da Economia, apresentados na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) entre 2015 e 2019.

De acordo com o estudo, 46% das pessoas que atuam em ONGs e associações de defesa de direitos sociais são negras – incluindo pretos e pardos, segundo definição adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados apresentados revelam a discrepância na remuneração, cargos ocupados e perspectivas de ascensão profissional na comparação entre negros e brancos.

Entre 2015 e 2018, a participação de brancos na força de trabalho das ONGs registrou queda, mas voltou a subir em 2019, representando 157.944 (52,81%).

Em relação às pessoas negras, o estudo indica um aumento de 8,28% na empregabilidade no mesmo período, indo de 38,81% para 47,09%, no sentido contrário ao das pessoas brancas. Contudo, há uma leve queda nesta participação (0,95%) em 2019.

A remuneração média varia entre meio salário mínimo a três salários mínimos. Enquanto os homens brancos estão na faixa dos que recebem os maiores salários (44,92%), as mulheres negras são a maioria na faixa dos que recebem os menores salários.

A diferença entre os dois grupos chega a 20 salários mínimos. Na faixa entre 15 e 20 salários mínimos, há uma redução mínima de 37,88% para 35,11% entre os homens brancos.

Já as mulheres brancas, com maiores ocupações nas associações e ONGs, recebem mais que os homes negros e as mulheres negras.

A participação de mulheres brancas na faixa que recebe de 10 a 15 salários mínimos foi de 32% para 35,41%. O ano de 2018 registrou um aumento nesta faixa para os homens negros (18,36%), mas caiu para 14,47% em 2019.

No total, mulheres pretas e pardas representam apenas 10,01% na faixa dos salários mais altos. Ainda assim, é um aumento quando comparado a 2015, quando correspondia a 5,87% dos que receberam 20 ou mais salários mínimos.

Sobre a função/ocupação, a pesquisa definiu as seguintes categorias: diretoras(es), gerentes, assistentes administrativos, supervisores(as), auxiliares de escritório, pesquisadores(as), zeladores(as), faxineiros(as), educadores(as) sociais e auxiliares de manutenção predial.

As pessoas brancas são maioria em quase todas as funções, em todos os anos da análise, exceto na posição de auxiliar de escritório e educador social.

Na posição de auxiliar de escritório, desde 2017, as pessoas negras são maioria, chegando a 51,51% em 2019. Já na função de diretor(a), a discrepância entre negros e brancos chega a 34,18%.

Aproveitando a divulgação do estudo, a Abong também lançou a Cartilha de Enfrentamento ao racismo Institucional nas OSCs: orientações para o reconhecimento e responsabilização.

O documento foi desenvolvido em parceria com a Ação Educativa. Para iniciar a discussão, a cartilha estabelece diversos questionamentos chave a serem respondidos.

A cartilha sugere a organização de fóruns de sensibilização para a temática, investimento na educação continuada sobre relações raciais e de gênero, criação de uma ouvidoria para a denuncia de racismo e assédio nas organizações.

Para conferir o estudo completo, clique aqui.

Para acessar a cartilha, clique aqui.

Fonte: Observatório do 3° Setor