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Junto da Microsoft, ONG de São Paulo cria app que busca desaparecidos por inteligência artificial

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O aplicativo Family Faces pode ser utilizado em todo o território nacional.| Foto: Bigstock

Encontrar pessoas desaparecidas é o objetivo da organização não governamental Mães da Sé, fundada em 1996 por Ivanise Esperdião. Se, 24 anos atrás, a ONG divulgava fotos de filhos desaparecidos nas escadarias da Praça da Sé, em São Paulo, agora quem vive esta busca pode utilizar também a tecnologia a seu favor, ampliando a procura de forma digital.

Em conjunto com a startup Mult-Connect, parceira da Microsoft, o grupo Mães da Sé desenvolveu um aplicativo que utiliza inteligência artificial para encontrar pessoas desaparecidas. O Family Faces realiza reconhecimento facial e cruza as informações com um banco de dados da ONG. O sistema está disponível para download nas plataformas Android e IOS.

Na prática, o usuário que tem contato com uma pessoa que acredita estar desaparecida ou em situação de vulnerabilidade pode fazer o upload de uma foto em que ela apareça, mostrando que ela foi "encontrada". O sistema confronta a imagem com o banco de dados da ONG e informa se os traços da pessoa se parecem com algum rosto procurado.

Outra opção para utilizar o aplicativo é incluir dados sobre as características físicas, como cor da pele, olhos, altura e cabelo. Assim, o sistema oferece imagens de desaparecidos com a fisionomia semelhante à informada no sistema para buscar um match.

Quando o aplicativo identifica que os traços da pessoa "encontrada" correspondem aos de alguém procurado pela ONG, um alerta é enviado à organização. Assim que o alerta é emitido, a equipe realiza um trabalho de checagem, verificando a probabilidade de a denúncia ser correta e entrando em contato com a família do desaparecido, em São Paulo. Caso o alerta seja emitido em outros estados, a ONG entra em contato com a Polícia Civil daquela localidade. O sistema está disponível para todo o Brasil.

"Através da inteligência artificial, que pode ser colocada na mão de enfermeiros, policiais e atendentes nos prontos-socorros, é possível identificar se quem está em dificuldade é uma pessoa que estamos procurando", descreve Luiz Viana, CEO da Mult-Connect, desenvolvedora da plataforma.

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Ivanise Esperdião, líder da ONG Mães da Sé, na praça da Sé, em São Paulo.| Reprodução/Mães da Sé

Desde 1996, quando sua filha desapareceu, Ivanise, fundadora da ONG, trabalha para divulgar dados e ajudar mães que também buscam por filhos desaparecidos. A Mães da Sé já cadastrou mais de 10 mil pessoas e ajudou a encontrar mais de 5 mil delas.

Fonte: Gazeta do Povo