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ONG Médicos do Mundo leva o consultório até a população de rua em 6 estados

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Ter a rua como lar é a realidade de cerca de 222 mil brasileiros, número que cresceu durante a pandemia de covid-19 e colocou quem vive nessa situação em posição ainda maior de vulnerabilidade e, consequentemente, ainda mais distante do atendimento médico e dos consultórios.

O cenário fez com que a ONG Médicos do Mundo, que já levava os consultórios às ruas desde 2015, adaptasse o trabalho que faz nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, onde oferecem atenção à saúde primária, cortes de cabelo, testes para infecções sexualmente transmissíveis, glicemia, aplicação de medicamentos, curativos e atendimento veterinário aos pets dos atendidos.

O grupo de médicos, veterinários e profissionais de áreas diversas atua nas ruas das cidades e com o aumento da demanda, recorreram a uma vaquinha online para ajudar na aquisição de insumos médicos e EPIs. "Durante a pandemia e impossibilitados de permanecer em quarentena ou isolamento social, as pessoas e animais de rua ficaram ainda mais vulneráveis. A ONG precisou reestruturar o modelo de suas ações nas ruas, diminuindo o número de voluntários atuantes e reforçando as medidas de segurança com os EPIs", conta Edmara Martins, 48, voluntária, e vice-presidente da ONG.

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Grupo oferece testes de IST’s, ultrassom, aplicação de contraceptivo de longa duração e atenção à saúde primária - Imagem: Divulgação

Correndo contra o tempo


No entanto, para que o dinheiro chegue ao grupo e possa ser revertido em materiais para o atendimento, é preciso que a meta do financiamento coletivo seja alcançada [R$ 20 mil], caso contrário os valores serão estornados aos doadores. O prazo é 13 de setembro e até o momento faltam cerca de R$ 18 mil para o valor estimado. "Todos têm o direito de receber atendimento digno de saúde. Essa campanha nos permitirá assistir até o final deste ano mais de 1 mil pessoas com consultas, curativos, testes rápidos, medicamentos, kits de higiene e equipamentos de proteção individual", diz Edmara.

A saúde mental também está no foco da organização, que absorve públicos distintos. "São atendidos pelo projeto crianças, adolescentes, idosos, mães, famílias em vulnerabilidade social, população em situação de rua, indígenas e LGBTQIA+", comenta a vice-presidente. A proximidade com os casos extremos de pessoas com a saúde debilitada tocou Edmara, como o de um jovem que vive na região da Cracolândia, que sem atendimento médico, sofria havia cinco meses com uma grande infecção em um dos pés e não conseguia mais caminhar.

"De longe observamos um inchaço descomunal no pé esquerdo e ao fazermos contato, perguntamos se poderíamos ajudá-lo. Ele não conseguia andar devido à dor e ao inchaço. A infecção foi puncionada e aplicamos antibiótico. Ao fim do atendimento ele conseguiu sair caminhando sozinho novamente", conta. Para Edmara, fazer parte do projeto a conecta com um propósito de vida. "Participar da ação reviveu algo dentro de mim, foi uma emoção crescente, como um reencontro de propósito e missão de vida. Difícil colocar em palavras tudo o que ela representa para mim e para todos que são assistidos.

Como ajudar

Interessados em doar valores ao projeto podem fazer contribuições por meio do financiamento coletivo do grupo e auxiliar com que alcancem a meta da vaquinha virtual. Mais informações sobre voluntariado e outras formas de colaborar podem ser obtidas no site da ONG Médicos do Mundo.

Fonte: ECOA