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Conheça o perfil do profissional do terceiro setor

not fundacao 04 12 2012 2Jovens com vontade de atuar no terceiro setor devem aliar a ambição de crescer profissionalmente ao crescimento pessoal.

Foi-se o tempo no qual o público que trabalhava em causas sociais eram apenas senhoras donas-de-casa, dedicadas às organizações assistencialistas. As demandas do século XXI, com crises se instalando em potências consolidadas no panorama global, migraram de questões que envolviam exclusivamente o mercado para colocar em foco o chamado terceiro setor, que atrai cada vez mais jovens - que enxergam nesse segmento, além da contribuição social, uma oportunidade profissional em franco desenvolvimento. O novo enfoque e produção de conhecimento avançam da administração tradicional (do Estado e mercado), em direção à administração pública (sociedade civil).

Com isso, a sociedade está diante de um desafio que se impõe para a formação de novos cenários. O que propõe o terceiro setor em relação ao mercado de trabalho? Certamente o lucro não é a prioridade número um de quem busca oportunidade de trabalho nessa área. Apesar de jovens serem tidos como ambiciosos, o conceito de ambição passa a ter outra conotação que não somente o dinheiro. Claro, ninguém diz que o dinheiro não é importante e, ao contrário do que se pensa, o terceiro setor hoje em dia oferece sim renumeração bastante digna. Mas a ambição de crescer profissionalmente em paralelo ao crescimento pessoal, pela percepção de ter um papel mais efetivo nas mudanças sociais, tem atraído cada vez mais pessoas.

Mas quem é esse profissional que se interessa por uma área ainda considerada em processo de consolidação? Resposta difícil, mas para muitos o fato de ser uma área em "processo de consolidação" é por si só, uma excelente motivação. A princípio, outros formatos de relações profissionais, aliados a propostas que vislumbrem maior participação social, indicam um caminho bastante sedutor para quem busca, acima de tudo, realização pessoal. Sair do círculo de competitividade dominante no segundo setor (indústria, comércio e serviços) e buscar satisfação de se incluir em uma causa relevante é uma das grandes motivações que tem levado pessoas a escolherem essa trajetória. Principalmente porque o terceiro setor tem atingido, diferente do tempo das "senhorinhas donas –de -casa", uma real maturidade profissional na gestão administrativa.

Mas certamente nem tudo são flores. A área ainda carece de divulgação, principalmente nos ciclos universitários, no sentido de mostrar essa opção como uma escolha consistente. Ainda prevalece a visão um pouco confusa de que se trata de um setor informal, sem profissionais devidamente capacitados para gerenciar os projetos, com estrutura precária. Em parte isso ainda (infelizmente) é verdade. Mas não é uma verdade absoluta. A profissionalização do setor é visível e louvável e se dá cada vez mais, na medida em que essas entidades atraem pessoas com boa formação e visão de mundo mais ampla. As mudanças ocorridas nos últimos tempos na configuração global, sejam políticas ou econômicas, exigem um novo posicionamento em relação às causas sociais, que não mais o de mera assistência. É preciso provocar uma nova visão, oferecer outras soluções que não as tradicionais, incluir e formar cidadãos responsáveis em todos os níveis.

Para os interessados em ingressar nesse mundo fascinante, de amplas possibilidades, sugere-se alguns requisitos básicos, como identificação com os valores da organização, flexibilidade, afinidade com a causa, criatividade e boa capacidade de relacionamento. Dependendo do tipo de entidade, podem-se enquadrar os mais diversos perfis e formações profissionais, mas é sempre bom ressaltar que este é um mercado em formação, cujo requisito básico é disponibilidade para enxergar o mundo com um novo olhar.

Roberto Ravagnani - Diretor-fundador da ONG Canto Cidadão, entidade apoiadora da feira ONG Brasil, maior evento brasileiro sobre responsabilidade social.

Fonte: Administradores.com