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Carreira no terceiro setor

not fundacao 28 1 2013O terceiro setor deixou de ser opção só para quem quer fazer trabalho voluntário. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 1,8 milhão de pessoas no País estão empregadas em organizações não-governamentais (ONGs), institutos, entidades e outras iniciativas sem fins lucrativos.

A perspectiva de crescimento profissional no terceiro setor é real. Foi-se o tempo em que as instituições sobreviviam exclusivamente da boa vontade alheia e do empenho de voluntários.

Convênios com os governos, incentivos fiscais e outros meios de captação de recursos junto ao setor privado garantem a saúde financeira das entidades e exigem a profissionalização, abrindo portas e despertando o interesse de profissionais.

A assistente social Suelen Priscila Galvan se surpreendeu com a organização e confiabilidade que o terceiro setor conquistou em Maringá. "Neste ambiente a relação entre os colegas é de auxílio mútuo e, por estar ajudando quem precisa, você tem outro envolvimento. É um trabalho, mas também é uma causa. Você sente que está se doando para o outro".

Organizadas da mesma forma que as empresas, várias ONGs oferecem oportunidades de crescimento, exigem competência e alto desempenho. Em contrapartida, salários compatíveis, ambiente favorável e reconhecimento social. Suelen comenta que a baixa rotatividade no terceiro setor é visível, ela mesma não pensa em sair do emprego. "Você vê que o pessoal permanece por dez, quinze anos naquela instituição.

É recompensador, isso faz diferença. Há muita gente querendo ingressar no terceiro setor porque tem vontade de fazer alguma coisa maior que simplesmente trabalhar", acrescenta.

Há três anos a assistente social trabalha na Rede Feminina de Combate ao Câncer de Maringá. Ela diz que a relação entre os colegas e o público é diferente, o envolvimento de quem trabalha é outro. A profissionalização também fez com que a maioria das vagas fosse ocupada por funcionários efetivos e hoje eles são 80% do pessoal.

Jovens também
O aumento no número de entidades e vagas fez com que o interesse dos jovens aumentasse.

De acordo com a consultora de Desenvolvimento Humano Jane Eyre, antes o profissional chegava mais maduro, experiente ou já em fim de carreira e com a intenção de retomar valores pessoais; hoje, diante das perspectivas, há universitários e recém-formados de olho nas oportunidades de empregos em ONGs e entidades, também porque enxergam a possibilidade de se dedicarem à causa que lhes interessa.

A percepção mudou porque o terceiro setor cresceu muito, ganhou visibilidade. O modelo atual é o de negócios, mais competitivo. "A ONG tem que ter estratégia porque também tem concorrência, exige organização interna, marketing agressivo e transparência nas atividades, há que se ter gente preparada para responder a isso", diz.

O coordenador do Cesumar Empresarial, Freud Oliveira, afirma que um dos campos mais exigidos é o financeiro, uma vez que a transparência na prestação de contas é essencial - objeto de fiscalização pelos doadores e pelos governos.

Sonegar informações, não enviar todos os dados ou outra falha pode comprometer todo o trabalho e o repasse de verbas. O momento é de procurar formação em áreas em crescimento como a de programas habitacionais, capacitação/educação, meio ambiente/sustentabilidade e saúde. Outras opções são criar a própria ONG ou prestar consultoria.

Fonte: O Diário de Maringá