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Setor filantrópico traz mais do que recebe

not fundacao 28 1 2013 5Entidades do chamado “terceiro setor” já chegam a 150 na cidade, mas sofrem com métodos de convênios

As entidades que antes eram chamadas de filantrópicas e hoje são reconhecidas como o “terceiro setor” (nem governamental, nem empresarial) estão cada vez mais importantes para apontar novos caminhos para a comunidade.

 “Trabalho há 40 anos e, certamente, foi uma das passagens mais emocionantes da minha vida profissional”, diz o gerente comercial do BOM DIA, Wagner Borges, sobre uma simples operação de doação de panetones ao Grendacc (Grupo de Defesa da Criança com Câncer).

Para ele, um dos pontos mais evidentes é que o hospital em Jundiaí não trata apenas da doença, mas da vida, da família, da escola. “Quem não pode ir para as aulas continua estudando ali. São crianças e adolescentes que sorriem diante de um desafio que faz nossas queixas cotidianas ficarem pequenas. Ou seja, ninguém leva nada para eles, mas na verdade, apenas recebe”, resume.

Um paralelo da iniciativa, que buscou destinar panetones de um lote de parceria, é a possibilidade de grandes laboratórios multinacionais evitarem perdas destinando parte de sua produção para entidades sérias. “São insumos caros que precisam ser usados”, observa.

Voluntário não é amador / O especialista Rodrigo Mendes Pereira, que suspendeu em dezembro o trabalho de consultor e professor no Ceats (Centro de Estudos do Terceiro Setor) da Fundação Getúlio Vargas para assumir a direção da Fumas (Fundação Municipal de Ação Social) no governo do atual prefeito Pedro Bigardi (PCdoB), estima que em Jundiaí existam pelo menos 150 entidades que possam ser classificadas como serviços públicos.

“A matricialidade delas é a solidariedade, enquanto a política pública está no direito do cidadão. A questão é buscar a articulação entre esses pontos”, explica Rodrigo.

Em outras palavras, a questão é que muitas entidades acabam usando a solidariedade de uma forma impensada, ao ponto de uma ação de emergência colocar em risco todo o planejamento e, até mesmo, um convênio realizado com algumas esferas do poder público. “A solidariedade precisa ser um princípio ético, mais do que apenas emocional”,  diz.

Essa questão ainda faz muitas entidades ou associações surgidas espontaneamente permanecerem distantes de convênios com a burocracia do setor público, mesmo que os objetivos muitas vezes sejam convergentes.

Rodrigo lembra que pesquisou o assunto em seu doutorado e defende que ambos passem a buscar um contato que leve mais efetividade aos resultados na população. Mas vai ser preciso buscar estrutura também na atividade meio (a gestão) para que cada atividade fim possa ser reforçada.  

“Há uma busca atual por transparência e isso vai exigir essa gestão”, diz, lembrando que a cidade já conta com entidades bem organizadas. “O profissionalismo não é como nas empresas, mas é algo cada vez mais importante”, afirma.  O diálogo entre os três setores, pelo visto, deve crescer.

Contratos ainda não “falam” a mesma língua
O BOM DIA apurou que problemas recentes de contratos ocorreram com o Instituto Luiz Braille, que adquiriu colírios de alto custo mediante promessas não registradas da prefeitura, e com a Associação Mata Ciliar, que recebeu menos por atendimento a animais silvestres do que seu custo. Em ambos, os casos estão sendo apurados no governo Bigardi.

“Mas isso, infelizmente, ainda é comum nessa relação. O poder público não costuma atuar na gestão de custos e as entidades muitas vezes lidam com demandas diferentes, criando uma variação de preços e serviços. É preciso buscar mais clareza nos dois lados”, diz Rodrigo.

E esses são apenas alguns percalços com entidades das mais importantes em atuação na cidade. São mais de 150 delas, incluindo outras como a APAE Jundiaí (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), que com o projeto “Fazendo a Diferença” atua em parceria com Ministério do Trabalho e as redes Sesi e Senai, ligadas à Ciesp (Centro das Indústrias do Estado) para a inclusão de portadores de deficiência  no mercado de trabalho.

E não se pode esquecer do trabalho com dança, que além da APAE envolve ainda a Amarati (Associação de Educação Terapêutica para Portadores de Doenças Neurológicas).

“Existem instituições mais estruturadas, mas a maioria das entidades é pequena e vive dependendo de apoio”, afirma Magno Henrique Mendes, presidente da UDJR (União dos Deficientes de Jundiaí e Região), do Centro, que busca padrinhos fixos para manter o funcionamento regular da entidade, que apesar disso sempre cria novidades como as recentes aulas de dança do ventre para deficientes visuais.

No setor  ligado aos animais, as demandas por estrutura também estão crescendo. “Tínhamos muitas dificuldades para levar os animais às clínicas veterinárias, às feiras de adoções e, na maioria das vezes, utilizávamos nossos próprios carros”, diz Rosa Candelori, da SOS Animais Abandonados, que ganhou veículo em emenda parlamentar.

Fonte: Rede Bom Dia