Governança com propósito: Alan Ramos e o compromisso institucional no fortalecimento do terceiro setor


Alan RamosConselheiro fiscal voluntário da APF, executivo da FIDI traz a experiência do setor corporativo e a vivência no terceiro setor para reforçar a representatividade, a transparência e a atuação estratégica das fundações e associações no Brasil.

A governança voluntária é um dos pilares que sustentam a atuação institucional da Associação Paulista de Fundações (APF). Por trás desse trabalho estão trajetórias profissionais consolidadas, decisões conscientes de engajamento e a disposição de contribuir com o fortalecimento do terceiro setor. É nesse contexto que se insere a atuação de Alan Ramos, conselheiro fiscal voluntário da APF e representante da FIDI – Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo em Diagnóstico por Imagem.

Formado em marketing, com MBA em gestão estratégica de negócios e pós-graduação em criação de negócios digitais pela ESPM, Alan construiu sua carreira no segundo setor, atuando em empresas multinacionais de serviços especializados em tecnologia e processos de negócios, onde ocupou posições estratégicas de alta gestão.

“Minha carreira foi desenvolvida em empresas multinacionais do setor de serviços, especializadas em tecnologia e processos de negócios, nas quais ocupei posições estratégicas de alta gestão”, relembra.

O ponto de inflexão aconteceu em 2019, quando recebeu o convite para atuar como sócio conselheiro do Instituto Êxito (Instituto Latino-Americano de Empreendedorismo e Inovação). Segundo ele, essa primeira experiência no terceiro setor foi decisiva para redefinir seus rumos profissionais. “Essa primeira experiência no terceiro setor foi determinante para a definição dos rumos da minha carreira”, afirma.

Ainda em 2019, Alan optou por se dedicar integralmente ao terceiro setor e passou a atuar na FIDI, onde hoje lidera áreas estratégicas como Marketing, Relações Institucionais, Corporate Venture Capital, Captação de Recursos, Pré-vendas, Comercial B2B e B2G e Licitações Públicas. A fundação é uma instituição sem fins lucrativos especializada em soluções para a área da saúde, com forte atuação no Sistema Único de Saúde (SUS).

“A FIDI atua predominantemente junto ao SUS, realizando mais de 5 milhões de exames e procedimentos diagnósticos por ano em mais de 100 unidades de saúde em todo o país, incluindo ressonância magnética, tomografia computadorizada, mamografia, ultrassonografia, raios X, exames cardiológicos e outros serviços essenciais para o diagnóstico e acompanhamento de pacientes”, destaca.

Relação institucional e atuação na APF
A aproximação com a APF está diretamente ligada à atuação institucional da FIDI. Responsável pela área de relações institucionais da fundação, Alan conduz pessoalmente iniciativas voltadas à construção de parcerias com entidades representativas do setor.

“Um dos objetivos da área de relações institucionais é desenvolver conexões com entidades que tenham representatividade reconhecida em setores relacionados à nossa atuação, como é o caso da APF”, explica.

Segundo ele, a relação entre as instituições é sólida e construída ao longo do tempo. “Somos parceiros e associados à APF há muitos anos e, dada a sólida relação entre as instituições, quando houve a oportunidade de integrar o conselho fiscal não tivemos dúvidas”, afirma.

Em 2025, Alan assumiu o cargo de conselheiro fiscal voluntário da APF, posição que, segundo ele, carrega um significado especial. “É uma posição que me orgulha profundamente pela importância da APF como instituição estratégica de apoio ao setor”, pontua.

O papel do terceiro setor e da governança
Para Alan, o terceiro setor ocupa um papel central na sociedade brasileira, especialmente diante das desigualdades sociais e da necessidade de garantir acesso a direitos constitucionais e serviços de qualidade.

“O terceiro setor tem papel relevante na sociedade brasileira, que ainda é bastante desigual, especialmente em garantir acesso à população a direitos constitucionais e a serviços de qualidade, inclusive, muitas vezes assumindo o papel do Estado na execução de políticas públicas”, ressalta.

Ele também chama atenção para o contexto paulista, marcado por grandes oportunidades e desafios. “São Paulo é o estado que possui o maior orçamento do Brasil e, por consequência, as maiores oportunidades e os maiores desafios”, observa, reforçando a importância de entidades como a APF na representação institucional do setor.

Nesse cenário, a governança exercida de forma voluntária ganha ainda mais relevância. “Como defensor apaixonado do terceiro setor, integrar o quadro de conselheiros da APF é uma honra e motivo de muito orgulho e satisfação”, afirma.

Desafios do setor e o papel da APF
Ao analisar o cenário atual, Alan aponta uma série de desafios enfrentados pelas fundações e associações, que exigem organização e atuação coletiva. Entre eles, estão a perda de espaço para o setor privado com fins lucrativos, a defasagem dos valores de repasse de recursos públicos, além de riscos de intervenção política e perda de independência, diante das discussões legislativas em curso. “São muitos desafios enfrentados pelas entidades atualmente”, resume.

Na sua avaliação, o principal papel da APF hoje é justamente contribuir para o fortalecimento institucional do setor. “Certamente é o fortalecimento do setor, que possivelmente é o mais importante para o desenvolvimento da sociedade brasileira”, afirma.

Para ele, esse fortalecimento passa pela representação qualificada. “Uma única voz representando instituições reconhecidas pela excelência em suas áreas de atuação tem muita força e relevância”, diz, ao destacar a atuação da APF junto à sociedade, governos, casas legislativas e ao Poder Judiciário.

Propósito e engajamento voluntário
A decisão de atuar de forma voluntária está diretamente ligada à busca por propósito. Alan reconhece os resultados alcançados ao longo da carreira no segundo setor, mas aponta que algo ainda faltava.

“Tive algum sucesso em minha carreira no segundo setor, mas sempre faltou algo: propósito”, relata. Ele também menciona a angústia provocada pela falta de humanidade em algumas relações entre empresas e sociedade.

“Quando tive a oportunidade de atuar no terceiro setor pela primeira vez, pude entender o que é trabalhar com motivação genuína em prol de causas que acredito e defendo muito”, completa.

Para Alan, saber que o esforço gera valor social, e não apenas concentração de capital, é um dos principais motivadores para a atuação voluntária. “Saber que cada esforço realizado resultará em valor para a sociedade é um dos principais combustíveis para atuar no terceiro setor”, afirma.

Ao final, Alan deixa uma mensagem direta aos associados da APF, reforçando a importância do engajamento.

“Se você acredita que pode ajudar a tornar a sociedade melhor para você, sua família e para aqueles que mais precisam de apoio, doe um ‘pedacinho’ daquilo que é um dos ativos mais valiosos: o tempo”, afirma.

Segundo ele, a participação ativa faz diferença não apenas para as instituições, mas também para quem se envolve. “Certamente uma pequena dedicação na atuação em instituições como a APF poderá transformar a vida de muitas pessoas, em especial a sua”, conclui.