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FUNDAÇÃO TIDE SETUBAL - Projeto Recicla Lapenna integra coleta seletiva, atividade econômica local e protagonismo populacional
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- Criado em 06/08/2025

Foto: Amauri Eugênio Jr.
Com parceria entre o Galpão ZL e a startup SO+MA, o projeto Recicla Lapenna visa incentivar a coleta seletiva na população do Jardim Lapena e apoiar o comércio local; conheça a iniciativa
O Recicla Lapenna, projeto implementado nas últimas semanas no Jardim Lapena, bairro da zona leste de São Paulo, traz em seu DNA a integração de aspectos fundamentais para a destinação correta de resíduos sólidos, atividade econômica territorial e incentivo ao protagonismo populacional.
Com realização por meio de parceria entre a Fundação Tide Setubal e a startup SO+MA, o projeto consiste em um sistema para gestão de resíduos sólidos com programas de incentivo em âmbito coletivo. Nesse sentido, a iniciativa envolve diretamente a população, associações locais e comerciantes – e essa lógica reflete-se na escolha do nome, por exemplo, cuja decisão foi da própria comunidade.
Desse modo, o programa objetiva estimular e fortalecer a criação de cadeia produtiva para fomentar a atividade econômica e a adoção de práticas ecologicamente sustentáveis. Para tanto, atores como população, escolas, comerciantes, catadores e organizações locais têm participação direta na iniciativa.
Marcelo Ribeiro, gerente de Projetos Estratégicos de Prática de Desenvolvimento Local da Fundação Tide Setubal, destaca essa dimensão e o trabalho de catadores. Essa lógica tem razão de ser, pois profissionais com esse perfil constituem a parte mais vulnerável do processo referente à reciclagem de resíduos sólidos. Logo, objetiva-se desenvolver o Recicla Lapenna como uma estrutura de negócio que os valorize.
“A Fundação está entrando nesse processo e fundamentando-o para parar de pé como negócio e eles poderem se remunerar. Idem que essa cadeia de pessoas trabalhadoras da reciclagem também não fiquem tão vulneráveis quanto já são”, comenta.
Resultados na palma da mão
Essa dinâmica materializa-se, então, no aplicativo do Recicla Lapenna. O recurso digital disponibiliza para quem se cadastrar nele informações como:
- Impacto causado por meio da contagem de kg de itens reciclados, preservação de árvores, economia água e de kWh de energia, emissão de CO2
- Ranking de reciclagem;
- Quantidade de pontos obtidos por meio dos materiais reciclados.
Por exemplo, algumas possibilidades abrangem alimentos e ida a restaurantes, materiais escolares, roupas e itens para construção. Em paralelo, pode-se também trocar pontos por serviços como cupons de acesso a plataformas de streaming, descontos em cursos e aquisição de ingressos de cinema.
Benefícios em diversas frentes
Ainda com todos os benefícios que vêm à tona para a população por meio dos pontos cumulativos, os maiores ganhos abrangem, então, os impactos socioambientais. Ou seja, ao mesmo tempo em que é possível converter os materiais reciclados em itens necessários para a população, o território ganha em termos de organização, limpeza e desenvolvimento econômico.
“Ao materializar tudo isso, vocês são um exemplo para vários outros bairros, sobre como mudaram o potencial do território”, comenta Claudia Pires. “Vejo que há um potencial muito maior de que, ao longo do tempo, permitirá que se aprenda com o que isso pode virar.”
A perspectiva da CEO da SO+MA dialoga com a de Jade Cristina Ferreira, moradora do Jardim Lapena. Cristina espera que, por meio do Recicla Lapenna, a população se engaje na destinação correta de resíduos sólidos. Nesse sentido, ela considera que a iniciativa ajude a comunidade a se conscientizar sobre esse contexto. “Espero que a cidade fique mais limpa, que todo mundo se conscientize e recicle, quanto a retirar [e destinar corretamente] o lixo.”
Nylane Silva, também moradora do Jardim Lapena, tem a mesma percepção sobre a importância que o projeto terá para sensibilizar a população quanto ao descarte correto de resíduos. E essa lógica virá à tona, para ela, com auxílio de aspectos centrais para o desenvolvimento da iniciativa e, assim, “trazendo benefícios. Até porque há também a bonificação por meio da qual será possível trocar [os materiais recicláveis]. Querendo ou não, trata-se de incentivo para as pessoas poderem descartar o lixo de maneira correta”, comentou, ao falar sobre a conversão dos materiais em itens para elas usarem no cotidiano.
Por fim, essa lógica conecta-se, para Nylane, com a abordagem econômica do Recicla Lapenna. “Isso tudo ajudará também na geração de renda para a população do Jardim Lapena.”
Engajamento comunitário no centro do Recicla Lapenna
O caráter colaborativo e plural do Recicla Lapenna torna-se ainda mais evidente ao se levar em consideração o papel que as organizações atuantes no território desempenham. Ao colocar em prática as articulações já existentes no bairro, o projeto conta com participações de:
- Grupo de Trabalho (GT) de Meio Ambiente: o grupo atuará diretamente com 50 famílias para incentivar a compostagem de resíduo orgânico por meio de baldes entregues diretamente às pessoas moradoras. O material coletado será transformado em adubo e biocomposto. Além disso, o núcleo também funcionará como ponto de recebimento de resíduos sólidos;
- Guardiãs do Território: por meio da capilaridade que já tem no território, inclusive no trabalho que já realiza na gestão de resíduos sólidos, o grupo colocará a sua sede, o Espaço Cuidar, como um ponto fixo para recebimento dos itens coletados;
- CicloLog: a empresa, que realiza atividade logística no território por meio de bicicletas, atuará na coleta de materiais recicláveis por moradoras e moradores que o GT de Meio Ambiente e as Guardiãs do Território indicarem.
“Essa é a grande potência que temos aqui e que pode transformar o território, pois falamos de transformação social, que é uma coisa que está muito longe e é muito utópica. Falamos e de transformação social todos os dias e a estamos fazendo todos os dias”, explica o diretor da CicloLog.
Impactos na economia e na qualidade de vida do território
Ao mesmo tempo em que é necessário considerar os impactos econômicos que o Recicla Lapenna objetiva proporcionar, precisa-se sempre evidenciar a dimensão socioambiental nesse contexto.
Para se ter uma ideia, de acordo com dados de 2023 do Mapa da Desigualdade, da Rede Nossa São Paulo, a taxa de coleta seletiva em Itaim Paulista e São Miguel é de 0,4%. Como parâmetro, Vila Mariana tem indicador de 10,3%, ao passo que Pinheiros e Santo Amaro têm, respectivamente, taxas de 5,7% e 5,3%.
Ainda, São Miguel apresenta valor médio de 0,56 unidade de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) de resíduos recicláveis por habitante segundo o mesmo levantamento.
Ao considerar essa dimensão, Claudia Pires, CEO da SO+MA, reforça o caráter colaborativo e coletivo do Recicla Lapenna. “O programa é um grande convite às pessoas compreenderem que o que elas consumirem pode ter destinação correta e elas são beneficiadas por implementarem essa atitude corretamente.”
Texto e foto: Amauri Eugênio Jr.
Fonte: Fundação Tide Setubal

