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Projeto ProAcolher ensina português de forma gratuita para imigrantes

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Projeto ProAcolher  já atendeu 2 mil alunos, de 23 países, entre refugiados, solicitantes de refúgio e imigrantes em situação de vulnerabilidade

O projeto ProAcolher, criado em 2013 pela professora Lúcia Maria da Assunção Barbosa e vinculado à Universidade de Brasília (UnB), oferece um curso de português gratuito para imigrantes.

No total, já foram atendidos cerca de 2 mil alunos, de 23 países, entre refugiados, solicitantes de refúgio e imigrantes em situação de vulnerabilidade.

A maior parte dos alunos é de origem africana, mas também há muitas pessoas da América Latina e Caribe, especialmente da Venezuela e do Haiti.

A professora Lúcia vem estudando e trabalhando com a língua portuguesa para estrangeiros desde 1993. Nascida em Cuiabá (MT), ela já morou no interior de São Paulo e também na França, onde fez doutorado em linguística aplicada.

Desde 2012 é professora de Português para Estrangeiros na UnB, onde coordenou, por cinco anos, o Núcleo de Ensino e Pesquisa em Português para Estrangeiros (NEPPE).

O núcleo já oferecia um curso pago de língua portuguesa e cultura brasileira para intercambistas e diplomatas de outros países.

Mas Lúcia percebeu o aumento de outro tipo de demanda: a das pessoas que precisavam aprender português com urgência, mas não podiam arcar com os custos do curso.

Ela decidiu então abrir um curso gratuito específico para esse público, o ProAcolher. Com aulas noturnas, uma vez que os alunos reservavam o dia para trabalhar ou buscar emprego, duas vezes por semana e duração de três semestres.

O grupo, que havia começado com 16 pessoas, foi crescendo rapidamente. Com esse reforço, a professora pôde abrir mais turmas. Atualmente, o projeto conta com mais de 20 voluntários, entre estudantes e ex-alunos da UnB.

À medida que se envolvia no trabalho com os imigrantes, Lúcia começou a pesquisar sobre como outros países lidavam com essa questão. Foi então que ela se deparou com a expressão “língua de acolhimento” em um livro português.

Contudo, embora o país tenha sido o primeiro a tratar o idioma desta forma, parecia não haver ainda uma definição para o termo. Lúcia tomou a tarefa para si: ela foi responsável por trazer o assunto para o Brasil e orientou a primeira tese defendida aqui sobre o tema.

O ensino da língua como forma de acolhimento envolve ir além da sala de aula e trabalhá-la como ferramenta para necessidades imediatas, uma vez que são pessoas que precisam aprender a usar o idioma imediatamente para se estabilizar.

Além do português, as aulas ensinam coisas práticas, como o caminho para tirar documentos, como funcionam as leis trabalhistas brasileiras e como se sair bem em uma entrevista de emprego.

O projeto também destaca o componente afetivo, sendo essencial mostrar que essas pessoas são bem-vindas, que o Brasil pode ser a casa delas também. Assim, uma consequência dessa abordagem é a maior proximidade que a turma acaba desenvolvendo.

Com a pandemia, as aulas passaram a ser online. Tudo teve que ser repensado – inclusive o material didático, que é elaborado pelos próprios professores.

Para a organização do projeto, a distância compromete a formação de laços mais profundos e lidar com a tecnologia muitas vezes é um desafio, já que muitas famílias contam com apenas um celular em casa para assistir às aulas.

Por outro lado, o número de inscritos cresceu exponencialmente. No ano passado, as turmas online receberam mais de 500 inscrições de pessoas de todo o país e também do exterior. Este ano, o número foi um pouco menor, mas ainda bem superior ao das salas presenciais: cerca de 200 pessoas.

O projeto cogita continuar oferecendo aulas online além das presenciais para atender pessoas de outros estados.

Fonte: ECOA | UOL