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14º Encontro da APF reúne representantes de fundações e empresas para discutir sobre diversidade e inclusão

Da esquerda para a direita: a apresentadora Cris Guterres, o vice-presidente da TV Cultura, Eneas Carlos Pereira, e a presidente da APF,  Dora Silvia Cunha Bueno
Da esquerda para a direita: a apresentadora Cris Guterres, o vice-presidente da TV Cultura, Eneas Carlos Pereira, e a presidente da APF, Dora Silvia Cunha Bueno


Aconteceu na última terça-feira, dia 27 de setembro, o 14º Encontro Paulista de Fundações, realizado pela Associação Paulista de Fundações - APF. O evento foi transmitido pelo YouTube diretamente dos estúdios da TV Cultura. O tema desta edição foi Diversidade e inclusão na gestão do terceiro setor.

Mediado por Cris Guterres, apresentadora do programa Estação Livre, da TV Cultura, teve tradução em libras e participação de convidados do Terceiro e do Segundo Setores, combinação que resultou em uma troca rica e plural.

O encontro trouxe uma discussão valiosa sobre o que tem sido feito na sociedade e no mercado em relação à inclusão e à diversidade, principalmente olhando para os conselhos deliberativos, para a presidência, a diretoria executiva, a gerência e as equipes técnicas das instituições.

A presidente da APF, Dora Silvia Cunha Bueno, que abriu o encontro, definiu o tema como “instigante e de grande relevância”. “Este chamamento será a semente que germinará, provocando a consciência da importância dos nossos olhares para esta pauta”, falou ela.

Na primeira parte do evento, Cris Guterres levou os convidados a uma reflexão: Como o Terceiro Setor pode se posicionar em relação à inclusão e diversidade em sua gestão? Na mesa de discussão estavam Marcelo Panico (Fundação Dorina Nowill), Neca Setubal (Fundação Tide Setubal), Vivian Sueiro (AACD) e Tabata Couto (Fundação Salvador Arena).


Os convidados do primeiro bloco, da esquerda para a direita: Marcelo Panico (Fundação Dorina Nowill), Vivian Sueiro (AACD), Neca Setubal (Fundação Tide Setubal) e Tabata Couto (Fundação Salvador Arena).
Os convidados do primeiro bloco, da esquerda para a direita: Marcelo Panico (Fundação Dorina Nowill), Vivian Sueiro (AACD), Neca Setubal (Fundação Tide Setubal) e Tabata Couto (Fundação Salvador Arena).
 

Panico lembrou que o Brasil tem uma das mais avançadas leis de inclusão do mundo. “Nós temos a LBI (Lei Brasileira de Inclusão), de 2015. Não nos falta lei, falta praticar essa lei”, afirmou.

Para Vivian Sueiro, o primeiro passo para a inclusão é reconhecer a existência da diversidade. “A diversidade existe e ponto. E existe numa perspectiva de sociedade, de demografia. A invisibilização dessa questão é a primeira barreira a se vencer na questão da inclusão. Porque, se você não conhece, você não consegue incluir”, diz.

A Lei de Cotas, tanto para PCDs quanto para pessoas negras, também foi assunto da conversa. "As pessoas com deficiência precisam estar na tomada de decisão, não só em cargos de entrada, mas em todos os níveis hierárquicos e até conselhos de administração. Sem isso você perde amplitude. Por mais que eu faça o exercício de empatia, quem vai poder dizer o que precisa ser feito é a própria pessoa que tem uma questão de discriminação ou de não inclusão”, diz Vivian Sueiro.

Neca Setubal enfatizou que vê as empresas mais à frente nos temas discutidos do que as fundações, por sofrerem mais pressão da sociedade. “O movimento no Terceiro Setor está acontecendo. As lideranças estão fazendo formações para que haja maior diversidade nas suas equipes, mas ainda é lento. Quando eu olho no Censo GIFE [principal pesquisa sobre investimento social privado no Brasil] é um percentual de menos de 10% das fundações que têm projetos com foco em equidade racial, por exemplo”, falou.

Assista ao 14º Encontro da APF na íntegra no Youtube.

Tabata Couto acrescentou: “Esses temas precisam estar nas agendas, porque senão a gente entra numa rotina e não vê, são situações que ficam invisíveis. Por exemplo, nós temos 52% de mulheres no Terceiro Setor? Elas são mais representativas no Terceiro Setor, mas no serviço de acolhimento e atendimento. Quando a gente chega à liderança, a mulher não tem tanta representatividade. Assim como acontece com pessoas negras e LGBTQIA+”, diz.

Neca Setubal explicou que na Fundação Tide Setubal 54% das pessoas se autodeclaram negras e quase 70% são de origem periférica. “Os princípios que são importantes: saber ouvir, você fazer com e não fazer para. E você acreditar na potência das pessoas. Temos um Comitê de Diversidade dentro da fundação e também um regimento interno. Ainda assim, estamos aprendendo”, disse ela..


E a diversidade e inclusão nas empresas?

No segundo bloco, foi discutida a importância da inclusão e da diversidade nas empresas e nas instituições, quais os riscos e os ganhos percebidos. Os convidados eram Cristiana Brito (BASF), Fabiana Sivieiro (99 Tecnologia), Fernando Arruda (SBSA Advogados) e Leandro Camilo (PWC).


Da esquerda para a direita: Cristiana Brito (BASF), Fabiana Sivieiro (99 Tecnologia), Fernando Arruda (SBSA Advogados) e Leandro Camilo (PWC).
Da esquerda para a direita: Cristiana Brito (BASF), Fabiana Sivieiro (99 Tecnologia), Fernando Arruda (SBSA Advogados) e Leandro Camilo (PWC).
 

Cris Guterres perguntou: Como é que uma empresa deve se posicionar nos dias atuais em relação à diversidade e à inclusão? De que maneira se posicionar para uma transformação da sociedade brasileira?

Para Cristiana Brito é preciso ter, além do respeito pelo outro, a vontade de entendê-lo: “A diversidade e a inclusão trazem a inovação e a longevidade de uma empresa”, disse ela.

Fabiana Sivieiro acredita que tudo começa como um critério de justiça. “Quando eu falo de diversidade e inclusão, principalmente no Brasil, falo de garantir igualdade de direitos na prática, para um grupo de pessoas que foi historicamente discriminado e excluído, com oportunidades diferentes”, falou.

E completou: “Os seus consumidores são pessoas diversas, têm pessoas de todas as ordens consumindo o seu produto. E, então, quem vai tomar as decisões dentro de uma empresa é um grupo de homens brancos? É uma desconexão que precisa ser resolvida com ações práticas, não só moral”.

“O nosso papel como empresa é ampliar o conhecimento das pessoas para que elas façam as reflexões necessárias. Na PWC a gente entende inclusão e diversidade não como caridade, mas como o certo a ser feito”, afirmou Leandro Camilo.

Fernando Arruda finalizou: “As pessoas são o que elas são. E basta a gente aceitar e abraçar. É essa pluralidade que traz a diversidade de ideias e as soluções criativas. É o que vai fazer o nosso futuro e o nosso desenvolvimento”, disse.

Também estiveram presentes no encontro o vice-presidente da TV Cultura, Eneas Carlos Pereira, e a vice-presidente da APF, Rachel Coser, que encerrou o evento muito emocionada com tudo o que viu.

Assista ao 14º Encontro da APF na íntegra no Youtube.


Convidados e equipe da APF reunidos ao final do encontro
Convidados e equipe da APF reunidos ao final do encontro